Médica revela o que acontece ao dormir com a porta do quarto fechada

Dormir com níveis de CO₂ acima do recomendado em quartos sem ventilação causa despertares noturnos e cansaço excessivo ao amanhecer

atualizado

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Foto colorida de homem dormindo em quarto com porta fechada
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Manter a porta do quarto totalmente fechada durante a noite pode parecer uma escolha natural por privacidade ou silêncio, mas o hábito esconde um inimigo invisível: o acúmulo de dióxido de carbono (CO₂). Estudos científicos recentes, publicados entre 2018 e 2025, revelam que a falta de renovação do ar em ambientes confinados eleva a concentração do gás expirado, impactando diretamente a arquitetura do sono e o desempenho cognitivo no dia seguinte.

Entenda

  • Acúmulo de CO₂: em quartos fechados com duas ou mais pessoas, os níveis de dióxido de carbono podem ultrapassar 1.300 ppm (partes por milhão), o que degrada a qualidade do ar.
  • Fragmentação do sono: o excesso de gás carbônico no sangue estimula o sistema nervoso, aumentando os despertares e reduzindo o tempo de sono profundo.
  • Impacto biológico: a má ventilação está ligada ao aumento do cortisol (hormônio do estresse) ao acordar e à sensação de cansaço crônico.
  • Solução simples: deixar a porta entreaberta ou uma fresta na janela é suficiente para promover a troca gasosa e garantir um descanso reparador.

O perigo do ar viciado

A ciência tem olhado com lupa para o que acontece dentro de quatro paredes enquanto dormimos. Uma pesquisa da Universidade de Tecnologia de Eindhoven monitorou voluntários e constatou que, em quartos totalmente fechados, a concentração de CO₂ saltou de 717 ppm para 1.150 ppm em média. Esse “ar viciado” impede que o corpo entre nas fases mais restauradoras do descanso.

Segundo a médica Gabriela Passos Arantes, especialista em Clínica Médica, o mecanismo é fisiológico. “Quando a renovação do ar é limitada, o CO₂ que eliminamos na respiração se acumula. Isso afeta o sistema nervoso autônomo e respiratório, muitas vezes sem que a pessoa perceba conscientemente que o ar foi o culpado pelos despertares frequentes”, explica.

Grupos de risco e desempenho

Embora o impacto seja sentido por todos, alguns grupos sofrem mais. “Idosos e pessoas que convivem com insônia, ansiedade ou problemas respiratórios são mais vulneráveis”, alerta Gabriela. Mesmo jovens saudáveis que dormem o número de horas adequado podem apresentar pior desempenho cognitivo e irritabilidade se o ambiente não estiver ventilado.

O médico especialista em medicina do sono, William Lu, reforça que níveis elevados de CO₂ na corrente sanguínea forçam o organismo a permanecer em estágios de sono leve. O resultado é uma noite “trabalhosa” para o corpo, em vez de relaxante.

Pessoa dormindo na cama
Níveis elevados de dióxido de carbono no ar durante a noite podem elevar a concentração do gás na corrente sanguínea, e a resposta do organismo a essa alteração tende a ser um sono menos profundo

Ventilação vs. conforto

Muitas pessoas optam por fechar a porta por questões de segurança, ruído ou temperatura. No entanto, o “equilíbrio ideal” é mais fácil de alcançar do que parece. Não é necessário dormir com a casa inteira aberta.

“O simples gesto de deixar a porta ligeiramente entreaberta já promove uma circulação suficiente para reduzir significativamente o acúmulo de CO₂”, orienta a médica.

Caso o isolamento acústico seja indispensável, a recomendação é buscar alternativas como sistemas de ventilação mecânica ou deixar uma pequena fresta na janela para garantir a troca de oxigênio.

Mulher branca e com os cabelos pretos dormindo em uma cama com lençóis brancos - Metrópoles
Dormir bem é necessário para manter a saúde mental. Alguns estudos sugerem que pessoas com insônia são até dez vezes mais propensas a ter depressão

Higiene do sono vai além do ar

A ventilação é uma peça fundamental de um quebra-cabeça maior chamado higiene do sono. Para que o cérebro desligue de forma eficiente, outros fatores ambientais devem ser controlados.

“A luz azul das telas é um fator crítico, pois inibe a melatonina”, pontua Gabriela médica e integrante da equipe do INKI, plataforma de consultas particulares. O cenário perfeito para um sono profundo e restaurador combina:

  1. Ventilação adequada (baixa concentração de CO₂);
  2. Escuridão total (para produção de melatonina);
  3. Silêncio;
  4. Temperatura agradável.

Ao ajustar a circulação de ar do quarto, o indivíduo adota uma intervenção gratuita e acessível que pode ser o diferencial entre acordar exausto ou verdadeiramente renovado.

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