Idoso recusa R$ 76 milhões de data center e vende terra à preservação

Mesmo diante de proposta milionária para instalação de data center, agricultor decide manter propósito ambiental e priorizar legado

atualizado

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Mervin Raudabaugh
1 de 1 Mervin Raudabaugh - Foto: Reprodução

Um agricultor de 86 anos, Mervin Raudabaugh, chamou atenção ao recusar uma proposta milionária para vender sua propriedade a empresas interessadas em instalar um centro de dados voltado à inteligência artificial. A oferta girava em torno de US$ 15 milhões (cerca de R$ 76 milhões), valor considerado altamente competitivo no mercado imobiliário rural.

A área do idoso passou a despertar interesse estratégico por reunir características ideais para esse tipo de empreendimento: espaço extenso, localização favorável e potencial para instalação de infraestrutura energética e de conectividade. 

Com o avanço acelerado da inteligência artificial, companhias do setor têm buscado regiões fora dos grandes centros urbanos para construir data centers, que exigem grandes extensões de terra e alto consumo de energia.

Mesmo diante da proposta, o agricultor optou por não vender. Segundo relatos, a decisão está diretamente ligada ao valor emocional e histórico da propriedade, que pertence à sua família há décadas. 

Ele passou cerca de 60 anos cultivando em Silver Spring Township e disse a uma revista norte-americana: “Eu não tinha interesse em destruir minhas fazendas. Essa era a questão principal. Não se tratava tanto do aspecto econômico. Eu simplesmente não queria ver essas duas fazendas destruídas.”

Para ele, a terra representa mais do que uma oportunidade financeira — é o resultado de uma vida inteira de trabalho e um patrimônio carregado de significado pessoal.

Em vez de aceitar a oferta das grandes empresas, ele decidiu conduzir negociações por conta própria, buscando alternativas que permitam manter o controle sobre o futuro da propriedade. A escolha surpreendeu investidores, mas também foi vista como um posicionamento firme diante da pressão crescente exercida pelo avanço tecnológico sobre áreas rurais.

Após ver novas construções em sua cidade, que expulsaram alguns moradores, Raudabaugh decidiu vender os direitos de desenvolvimento ao Programa de Preservação de Terras do município de Silver Spring por pouco menos de US$ 1,9 milhão (cerca de R$ 9,7 milhões).

O programa foi criado em janeiro de 2014 como uma resposta proativa aos desejos da comunidade pela preservação de terras em propriedades com pelo menos 10 acres de espaço aberto, bosques, terras agrícolas, proteção de cursos d’água ou áreas úmidas, conforme consta em seu site. 

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