Doce veneno: como o excesso de açúcar afeta o sistema circulatório
Altos níveis de açúcar causam inflamação crônica, endurecimento das artérias e elevam o risco de infarto e trombose
atualizado
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A vilã silenciosa da saúde moderna não é apenas a gordura, mas a glicose em excesso. O consumo desenfreado de açúcar tem se revelado um dos principais agentes tóxicos para o sistema cardiovascular, agindo diretamente na estrutura das veias e artérias.
Segundo o médico Herik Oliveira, cirurgião vascular e especialista pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), o açúcar elevado no sangue desencadeia um processo de inflamação crônica e estresse oxidativo que compromete a camada interna dos vasos — o endotélio —, reduzindo a produção de óxido nítrico, substância essencial para a proteção vascular.
Entenda
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Agressão ao endotélio: o açúcar age como um agente tóxico, ferindo a parede interna dos vasos e causando seu endurecimento precoce.
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Comprometimento venoso: nas veias, a inflamação enfraquece as paredes, favorecendo o surgimento de varizes e o risco de trombose.
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Aterosclerose acelerada: nas artérias, a glicose facilita o acúmulo de placas de gordura e aumenta os níveis de colesterol ruim (LDL).
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Hipertensão correlacionada: o consumo de açúcar frequentemente acompanha o de sódio, reduzindo a capacidade de dilatação dos vasos e elevando a pressão.

O mecanismo da lesão vascular
O impacto do açúcar difere ligeiramente entre os tipos de vasos, mas o resultado final é igualmente perigoso. Nas artérias, o excesso de glicemia promove a formação de placas de gordura e o endurecimento das paredes arteriais, processo conhecido como aterosclerose. “Isso obstrui a passagem do sangue e reduz o fluxo para órgãos vitais”, explica Herik Oliveira. Além disso, o açúcar elevado impulsiona os níveis de triglicerídeos e do colesterol LDL, acelerando esse entupimento.
Já no sistema venoso, a inflamação crônica causada pelo estresse oxidativo debilita as veias. Essa fragilidade leva à dilatação dos vasos, resultando em varizes e, em casos mais graves, na formação de coágulos. O estado inflamatório aumenta a viscosidade do sangue, elevando consideravelmente as chances de uma trombose venosa.

Sinais de alerta e consequências
As consequências do descuido a longo prazo são severas: maior incidência de infarto agudo do miocárdio (IAM) e acidente vascular cerebral (AVC). Por isso, o especialista alerta para sintomas que podem indicar que o corpo está sofrendo com o excesso de glicose:
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Cansaço extremo e fome constante;
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Ganho de peso rápido (especialmente na região abdominal);
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Sensação de formigamento ou dormência nas mãos e pés.

Prevenção e estilo de vida
Para reverter esse quadro e proteger o coração, a recomendação é clara: um acompanhamento médico rigoroso com controle de glicemia e hemoglobina glicada. “É fundamental manter uma alimentação rica em fibras, reduzir drasticamente os carboidratos simples, praticar exercícios físicos regularmente e prezar por uma boa qualidade de sono”, pontua o cirurgião. O equilíbrio entre dieta e movimento continua sendo a melhor receita para manter os vasos sanguíneos íntegros e o fluxo da vida sem interrupções.
