DIU: 6 mitos e verdades explicados por uma ginecologista
Ginecologista esclarece dúvidas sobre dor, eficácia e alternativas para tornar a inserção do dispositivo intrauterino (DIU) mais confortável

O planejamento reprodutivo ganhou um aliado de peso nos últimos anos: o Dispositivo Intrauterino (DIU). Considerado um dos métodos contraceptivos mais eficazes da atualidade, ele tem atraído cada vez mais a atenção de mulheres interessadas em uma proteção de longa duração.
Paralelamente a esse crescimento, as redes sociais, os consultórios e os meios de comunicação têm dado grande destaque à experiência de inserção do dispositivo, trazendo à tona debates importantes sobre dor, acolhimento médico e formas de minimizar o desconforto no consultório.
Internacionalmente, o impacto do método é expressivo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o DIU é a escolha de mais de 150 milhões de mulheres globalmente, destacando-se por sua taxa de eficácia superior a 99%, além de ser totalmente reversível.
Para a ginecologista e obstetra Larissa Cassiano, a chave para uma boa experiência está no acesso a orientações claras sobre o que acontece dentro do consultório.
“A escolha de um método contraceptivo deve ser feita com base em informação de qualidade. Isso inclui entender os benefícios do DIU, mas também saber como funciona a inserção, quais sensações podem ocorrer durante o procedimento e quais recursos podem ser utilizados para proporcionar mais conforto à paciente”, aponta a médica.

Debate sobre a dor e o manejo clínico
A possibilidade de sentir dor no momento da colocação é o receio mais comum entre as pacientes. A médica detalha o que é real e o que é falso nesse cenário:
1. A inserção do DIU pode causar dor? Verdade
A sensibilidade ao procedimento não é universal. Enquanto uma parcela das mulheres relata apenas cólicas leves ou um incômodo rápido, outras chegam a registrar dores de intensidade moderada a forte.
Essa variação depende de múltiplos fatores individuais, como o histórico ginecológico, a anatomia do colo do útero, o nível de ansiedade e até vivências anteriores da paciente.
“É importante reconhecer que a dor existe e que ela não deve ser minimizada. Cada mulher vivencia o procedimento de forma diferente. O mais importante é que essa experiência seja acolhida, discutida previamente e acompanhada por um profissional capacitado”, ressalta Larissa.
2. Existem opções para tornar a inserção mais confortável? Verdade
Embora o desconhecimento sobre o assunto seja frequente, as pacientes contam com recursos médicos voltados para mitigar o sofrimento na hora da aplicação. A escolha da melhor estratégia varia de acordo com o perfil da paciente, a indicação do profissional e a infraestrutura disponível no local do atendimento.
O leque de opções inclui o uso de analgésicos por via oral, anestesias locais, bloqueios de nervos na região, sedação e, dependendo da especificidade do caso, suporte de um médico anestesista.
“Muitas pacientes chegam ao consultório sem saber que existem alternativas para o manejo da dor. Por isso, a conversa prévia é fundamental. O plano de cuidado deve ser individualizado e construído em conjunto entre a paciente e o profissional de saúde”, defende a ginecologista.
3. O DIU é um dos métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis? Verdade
Estatísticas chanceladas pelo Ministério da Saúde confirmam que o dispositivo protege contra a gravidez em mais de 99% dos casos, posicionando-o no topo do ranking de segurança contraceptiva global.
A comodidade também conta pontos a favor, visto que o DIU dispensa a rotina de ingestão diária ou preocupações constantes com o calendário para garantir o efeito protetor.

4. O DIU causa infertilidade? Mito
Segundo as diretrizes da OMS, o dispositivo não compromete a capacidade reprodutiva futura da mulher. O método é classificado como totalmente reversível, permitindo que a fertilidade retorne aos seus níveis habituais logo após a remoção do objeto do útero.
5. Mulheres que nunca tiveram filhos não podem usar DIU? Mito
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) reforça que a ausência de gestações anteriores não é um impedimento. O DIU pode ser introduzido em pacientes com ou sem filhos, contanto que os exames clínicos não apontem restrições de saúde.
“Hoje sabemos que o DIU é uma opção segura para diferentes profiles de pacientes. A indicação deve ser individualizada e baseada em avaliação médica, não em mitos que foram perpetuados ao longo dos anos”, argumenta a especialista.
6. O DIU pode sair do lugar durante exercícios físicos ou relações sexuais? Mito
A prática esportiva, os esforços físicos do dia a dia e o ato sexual não possuem força mecânica para deslocar o contraceptivo de sua posição correta.
Deslocamentos ou expulsões parciais ocorrem apenas em cenários muito específicos e raros — principalmente nos meses logo após a inserção —, exigindo monitoramento profissional, mas sem representar a regra.

Transparência e centralidade na paciente
Na visão da médica Larissa, abrir espaço para debater abertamente a colocação do dispositivo ajuda a construir um modelo de atendimento mais humanizado e focado nas necessidades de cada mulher.
“Falar sobre dor não deve afastar as mulheres do método. Pelo contrário. Quanto mais transparente for a conversa sobre o procedimento, maiores são as chances de que cada paciente faça uma escolha consciente, conheça as possibilidades de manejo disponíveis e se sinta acolhida durante todo o processo. Informação, autonomia e cuidado devem caminhar juntos.”
Ao somar o acompanhamento de profissionais habilitados com dados científicos sólidos, o DIU se consolida no planejamento familiar como uma alternativa que entrega praticidade, segurança e o controle da saúde reprodutiva nas mãos das mulheres.

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