
Copa do Mundo e enxaqueca: por que grandes eventos trazem crises?
A soma de gatilhos emocionais, mudanças na rotina e estímulos visuais ou sonoros acende o alerta para quem sofre com a enxaqueca

A bola rola hoje (13/6), a partir das 19h, para a estreia do Brasil contra o Marrocos na Copa do Mundo, acendendo o coração da torcida. No entanto, para além das emoções em campo, o período de grandes competições esportivas exige atenção redobrada de quem convive com a enxaqueca.
A combinação de fatores emocionais, comportamentais e ambientais típicos desses momentos de festa funciona como um prato cheio para o desencadeamento de crises em pessoas suscetíveis que não estão com a doença controlada.
De acordo com a médica neurologista Thaís Villa (CRM 110217), especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, o grande perigo mora na soma de pequenos fatores. Situações festivas podem ser particularmente problemáticas mesmo quando cada gatilho, se analisado de forma isolada, não seria suficiente para despertar os sintomas.
O perigo mora nos excessos e na quebra da rotina
Durante os campeonatos, a rotina costuma virar de cabeça para baixo, afetando pilares essenciais para o bem-estar do corpo. Ficar acordado até tarde para acompanhar as partidas altera os padrões de sono. Paralelamente, pular refeições ou comer em horários irregulares por estar focado nos jogos prejudica o organismo.
O consumo de bebidas alcoólicas e de alimentos potencialmente estimulantes — como embutidos, produtos ultraprocessados e itens com determinados aditivos alimentares — favorece diretamente o surgimento das dores. Além disso, muita gente deixa a água de lado quando consome álcool e corre risco de desidratação.
Para quem sofre com enxaquecas, o barulho intenso das torcidas e a exposição prolongada a telas, somados às luzes brilhantes e piscantes dos telões, elevam a sensibilidade de um cérebro que já é hiperexcitado por natureza.

A montanha-russa emocional e o “pós-jogo”
A ansiedade que antecede o apito inicial e a tensão ao longo dos 90 minutos são gatilhos claros. Contudo, o momento de relaxar também esconde armadilhas. Thaís Villa destaca o fenômeno conhecido como “dor de cabeça de fim de estresse”. Nele, as crises não dão as caras no pico da tensão emocional, mas sim logo após, quando os níveis de excitação e alerta do organismo despencam.
“É importante lembrar que os gatilhos variam bastante entre os indivíduos. O que desencadeia crises em uma pessoa pode não ter efeito em outra”, ressalta a neurologista.
Tratamento e qualidade de vida
A enxaqueca é uma condição neurológica complexa, incapacitante e invisível. Para milhões de pessoas, os momentos de lazer viram sinônimo de isolamento por falta de diagnóstico e tratamento adequados. Embora a doença não tenha cura, o controle efetivo devolve a qualidade de vida, permitindo viver sem dores de cabeça e outros sintomas associados.
Para alcançar esse equilíbrio, a especialista recomenda uma abordagem multidisciplinar e integrada, unindo o acompanhamento médico especializado a mudanças consistentes no estilo de vida. “O Tratamento 360º, que respeita as particularidades de cada paciente e utiliza recursos modernos, é o que há de mais moderno no manejo da enxaqueca”, detalha Thaís.
“A aplicação do botox nos nervos envolvidos bloqueia a liberação de mediadores químicos responsáveis pela transmissão da dor e da inflamação, reduzindo a excitabilidade cerebral. Outro recurso são os anti-CGRP, medicamentos injetáveis com anticorpos monoclonais que têm se mostrado altamente eficazes no controle da doença.”

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