Para preservar saúde mental, movimento pede boicote a filtros do Instagram

Hashtag #filterdrop é usada para incentivar que usuários dispensem o recurso em Stories e postagens na rede social

atualizado 24/09/2020 11:51

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Menos poros, nariz pontudo e cílios poderosos. Para muitas pessoas, há dias que, no Instagram, “só o filtro salva”. Esse recurso, cada vez mais high tech e aprimorado, já faz parte da rotina de quem usa a rede social. Há, por outro lado, quem critique o uso exacerbado da ferramenta, que pode trazer prejuízos à autoimagem e à saúde mental.

Recentemente, uma pesquisa feita pelo grupo Girlguiding constatou que um terço das mulheres jovens não publica fotos sem antes usar um filtro que modifique a aparência. E pior: 39% afirmaram que se sentiam infelizes por, na vida real, serem diferentes das imagens projetadas na tela do smartphone.

Para tentar minimizar esse ciclo vicioso, nomes como a modelo e maquiadora britânica Sasha Pallari estão abrindo mão dos filtros, tanto nas fotos que publicam no feed quanto nos Stories. Foi ela quem lançou a hashtag #filterdrop (algo como “deixe o filtro”). A expectativa da criadora é ver mais rostos reais na rede. Além disso, ela também fez um vídeo sobre o assunto, externando suas preocupações.

“Minha paixão sempre foi maquiagem e, agora, é sobre capacitar as pessoas a reconhecerem quem são, e não como são”, contou, em entrevista a um veículo internacional. “Deixe isto ser um lembrete: seus poros, rugas e textura em sua pele são lindas”, desabafou, em post no Instagram.

O recurso tecnológico não mexe, apenas, com a cabeça dos adultos. Sasha Pallari revelou que decidiu criar a #filterdrop ao ouvir, de uma seguidora, que a filha de 4 anos estava sofrendo e com sintomas de depressão por não ficar contente com o que via no espelho. Como a exposição dos pequenos a redes tem ocorrido com idade cada vez menor, o ideal é ter um diálogo honesto e fortalecer a autoestima das crianças, adolescentes e jovens, na visão da influencer.

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Corrida aos consultórios

No início deste ano, um artigo publicado no Journal of The American Society of Plastic Surgeons constatou que muitos pacientes, a maioria millennials, estavam em busca de procedimentos cirúrgicos para ficar mais parecido com o que viam no Insta. O fenômeno ganhou até nome: Dismorfia Instagram.

“Com as mídias digitais e as selfies, as pessoas estão o tempo todo se autoavaliando e procurando ‘defeitos’ para que possam melhorar. Elas querem se tornar mais bonitas para ficarem melhor nas fotos e postarem em suas mídias. Assim como veem as celebridades e os influencers divulgando um tratamento e procuram pelo procedimento oferecido”, avalia o cirurgião plástico Paolo Rubez, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS).

Há quem tenha recorrido a cirurgiões plásticos para ficar igual à própria versão com filtro

Por isso, mais que um passatempo enquanto grava algum vídeo ou uma forma de melhorar aquela foto sem graça, os filtros têm ganhado um contexto cultural que vai além do uso on-line. “Com as selfies, as pessoas estão mais focadas em detalhes do rosto e do corpo e têm inclusive uma noção estética apurada. Com isto, elas procuram tratamentos para detalhes que observam nas fotos, que antes não eram tão valorizados porque as pessoas não se viam o tempo todo nas imagens”, emenda.

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