Arrancar os cabelos é doença! Entenda a compulsão relatada por Gabi Brandt

De acordo com especialistas, mania de arrancar os próprios fios pode estar associada a quadros de estresse e ansiedade

atualizado 20/05/2020 11:18

Gabi Brandt com destaque de imagem em que mostra buracos no couro cabeludoReprodução/Instagram

A influenciadora Gabi Brandt comoveu os seguidores ao relatar, na semana passada, os efeitos de uma crise de ansiedade vivida por ela no último mês. A esposa de Saulo Poncio contou que desenvolveu uma compulsão por puxar os fios do próprio cabelo, mesmo dormindo, e mostrou buracos em seu couro cabeludo.

Ela afirmou que obsessão foi superada e que está se recuperando da perda capilar, mas desabafou sobre o sofrimento causado pelo comportamento, denominado tricotilomania.  “Me incomodava muito, mas era uma parada compulsiva. Quando eu via, eu já tava fazendo, o dia inteiro”.

Gabi Brandt (Poncio) revela que tem tricotilomania
Gabi contou no Instagram que teve tricotilomania. “Dói de verdade”, contou em uma sequência de vídeos

 

De acordo com diferentes estudos sobre o tema, o impulso de arrancar os próprios fios, do couro cabeludo ou de outras partes do corpo atinge de 0,6% a 3,6% da população mundial.

Entenda o transtorno

A professora de psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, Christiane Carvalho Ribeiro, explica que condição está associada, na maioria das vezes, a situações emocionais consideradas difíceis, como as que podem ser geradas a partir do isolamento social provocado pela pandemia do coronavírus.

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“O estresse e a ansidade podem contribuir muito com o quadro. Alguns estudos apontam que as mulheres são as mais afetadas, relacionando-o, também, à questão hormonal”, explica Christiane.

A tricotilomania pode ocorrer de automática, quando a pessoa percebe o comportamento somente ao ver os fios arrancados, ou focada, quando parte do cabelo é retirada com alguma intenção, como reduzir o estresse e a ansiedade.  Apesar das divisões, é comum também que o indivíduo apresente os dois comportamentos.

De acordo com a psiquiatra Renata Figueiredo, da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, a doença é subnotificada por vergonha ou desconhecimento do paciente. A profissional alerta, no entanto, que tanto o diagnóstico quanto o tratamento são fundamentais.

“É um transtorno que pode levar a uma série de consequências, desde a piora da qualidade de vida – quando a pessoa deixa de frequentar lugares em que a perda de cabelo se torna evidentes ou começa a sentir necessidade de disfarçar a perda do cabelo usando peruca, chapéu, etc -, até complicações mais graves infecções dermatológicas”.

Para tratar-se, é necessário buscar acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. Em muitos dos casos, é necessário também o auxílio de medicamentos, como os antidepressivos – que devem ser utilizados somente com indicação de um profissional habilitado.

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