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O consumo excessivo de mídia digital por meio de smartphones, computadores e tablets eleva o risco de hiperatividade e distúrbios de concentração entre crianças e adolescentes, podendo afetar seu desenvolvimento físico e psíquico, aponta uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (29/5), em Berlim, na Alemanha.

Para o estudo, chamado “Blikk”, 80 médicos entrevistaram no primeiro semestre de 2016 quase 5.600 pais e seus filhos sobre o uso de mídias digitais. De acordo com o levantamento, 70% das crianças alemãs com menos de seis anos de idade usam o smartphone ou o tablet de seus pais por mais de meia hora por dia.

Segundo os pesquisadores, crianças de oito a 13 anos que pertencem a esse grupo correm seis vezes mais risco de serem diagnosticadas com distúrbios de concentração e as de dois a cinco anos têm 3,5 mais chance de serem hiperativas.

Entre crianças de oito a 13 anos, os pesquisadores encontraram os mesmos sintomas de hiperatividade a partir de um consumo diário além de uma hora. Mais de 16% dos menores entre 13 e 14 anos de idade relataram ter sintomas de vício, como problemas em controlar seu próprio uso da internet.

Há ainda indícios mensuráveis do aparecimento de problemas ligados a transtorno de apego reativo em crianças cujas mães usam mídias digitais paralelamente à amamentação ou quando estão cuidando de bebês de colo.

“As crianças não mamam direito, elas dormem mal”, afirmou Marlene Mortler, representante do governo alemão para problemas ligados a drogas, durante a apresentação do estudo.

Limites e monitoramento
Mortler aconselhou os pais a monitorar melhor o consumo de mídia de seus filhos. Especialistas avaliam que há na Alemanha cerca de 600 mil viciados em internet e 2.5 milhões de pessoas com distúrbios ligados ao uso da internet, sobretudo jovens e adolescentes.

Na Alemanha, 6% dos adolescentes entre 12 e 17 anos de idade apresentam definitivamente necessidade de tratamento."
Marlene Mortler

Uwe Büsching, do conselho da Associação de Pediatras da Alemanha, afirmou que crianças não deveriam ganhar smartphones antes de completarem 12 anos de idade. Ele aconselha que, antes de se comprar um celular para as crianças, sejam estabelecidas regras claras, limitando seu uso.

Büsching frisa ser importante que menores não naveguem na internet sem que haja um monitoramento por parte dos pais e que haja uma função de desligamento automático do computador após um determinado tempo.

Rainer Riedel, autor do estudo e diretor do Instituto de Economia Médica e Pesquisa de Atendimento à Saúde de Colônia, apela para que pais leiam os chats nos smartphones de seus filhos, para protegê-los de bullying, por exemplo. Entre as dicas dos especialistas, está a criação de zonas livres de celulares, como à mesa de jantar da família.

 

 

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