Procedimento que matou bancária no Rio não é indicado para estética

Adotada pelo "Dr. Bumbum", a substância PMMA não deve ser usada em grandes quantidades por risco de necrose e lesão de vasos

atualizado 20/07/2018 11:08

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Após a morte da bancária Lilian Calixto, que foi atendida pelo médico Denis Cesar Barros Furtado, o “Dr. Bumbum”, para um implante nas nádegas, o procedimento chamado de bioplastia voltou a ser notícia. Conhecido por ter causado também a infecção sofrida pela modelo Andressa Urach, o polimetilmetacrilato (PMMA) não é indicado para procedimentos estéticos em grandes áreas.

Segundo uma pesquisa de 2016 feita pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional São Paulo (SBPC-SP), o PMMA provocou deformidades e complicações em cerca de 17 mil pacientes no Brasil.

O Conselho Federal de Medicina preconiza que o uso deve ser feito com cautela, em pequenas quantidades, em áreas do rosto e em casos específicos, como pacientes HIV positivo necessitando de preenchimento facial.

O PMMA é um bioplástico feito de microesferas que se espalham pelo tecido quando entram na pele, e não é absorvido pelo organismo. Quando aplicado, o produto endurece como uma espécie de cimento. Há outros procedimentos mais seguros, como o ácido hialurônico.

“O uso do PMMA em grandes quantidades pode trazer danos como necrose e lesão de vasos. A substância só pode ser aplicada em pequenos volumes, tanto que as ampolas do produto vêm com capacidade de apenas 3ml”, alerta o cirurgião plástico Giancarlo Dall’Olio.

O produto pode também entupir artérias e chegar até o coração, pulmão e cérebro. De acordo com o médico, o fato de as pessoas continuarem procurando o procedimento, apesar do perigo, não é por falta de informação. “É uma ansiedade por solução rápida e milagrosa tão grande que o paciente acaba passando por cima de várias etapas”, completa.

Sobre o PMMA e substâncias semelhantes, o Parecer nº 5/13 do Conselho Federal de Medicina afirma:

“O uso dessas substâncias pode causar edemas locais, processos inflamatórios, telangiectasias, cicatrizes hipertróficas, reações alérgicas e formação de granuloma. Estas reações podem ser imediatas ou tardias.

Foi autorizada a utilização em tratamento reparador da lipodistrofia para pacientes portadores de HIV/Aids e para usuários de antirretrovirais, segundo orientações da Anvisa e Ministério da Saúde.

Na cirurgia plástica, especificamente, é utilizada como preenchimento em diversas áreas do corpo e é conhecida como bioplastia, sendo seu uso extremamente limitado e, quando em grandes quantidades, não seguro e de resultados imprevisíveis a longo prazo. Apesar de ser considerado um material não absorvível, estudo com retirada de tecidos submetidos previamente à injeção de PMMA constatou absorção pelo organismo e migração, o que o assemelha à injeção de silicone líquido.

Tanto a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica quanto a Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do CFM recomendam que a substância seja utilizada apenas por médicos, em pequenas doses e com restrições, pois em grandes volumes seu uso é inseguro e imprevisível, podendo causar reações incuráveis e definitivas”.

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