“Dr. Bumbum” enganava clientes e atendia em hotel, diz ex-funcionária

Conforme a enfermeira Wanessa Ribeiro disse ao Metrópoles, médico aplicava menos produto do que o adquirido pelas pacientes

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 19/07/2018 8:35

Desde que o médico Denis Furtado, 45 anos, passou a ser considerado foragido da Justiça após a morte de uma paciente atendida por ele em um apartamento no Rio de Janeiro, a enfermeira Wanessa Ribeiro Reis, 26, a qual trabalhou com ele por quatro meses, passou a ser ameaçada nas redes sociais. Mas a ex-funcionária do “dr. Bumbum” assegura: “Sou tão vítima quanto todas as outras pessoas”.

Em entrevista exclusiva ao Metrópoles, ela diz que o cirurgião fazia procedimentos estéticos até em quartos de hotel e “ludibriava as vítimas”. A enfermeira também confirma que o médico atendia pacientes por WhatsApp, fazendo inclusive permutas.

Com semblante assustado, a moça relembra a época em que conviveu profissionalmente com “dr. Bumbum”. “Trabalhei com ele de maio a setembro de 2017. Ele me escolheu por conta da grande quantidade de seguidores que eu tinha no Instagram. Inclusive, muitas dessas pessoas realizaram procedimentos com o Denis”, conta.

No entanto, por ter indicado os serviços do profissional e aparecer ao lado dele nos vídeos postados nas redes sociais, Wanessa agora tornou-se alvo de pacientes que foram atendidos pelo médico e de indivíduos revoltados com a história. “Estou recebendo ameaças, xingamentos. Porém, fui tão vítima dele quanto todas essas pessoas”, desabafa. A própria enfermeira também já ocupou o lugar de paciente do “dr. Bumbum”.

Ele chegou a fazer uma bioplastia em mim. Na época, tive infecção e precisei drenar o produto. Tomei medicamentos durante um tempo e também necessitei fazer cauterização

Wanessa Ribeiro Reis

Segundo ela, na entrevista de emprego, foi dito que os atendimentos seriam todos realizados em uma clínica. Porém, uma casa na QL 32 do Condomínio Villages Alvorada, no Lago Sul, passou a ser usada para as aplicações estéticas realizadas pelo médico.

“Ele foi me enrolando e, certo dia, um procedimento deu errado. A paciente ligou dizendo que estava com infecção, além de muito pus e secreção saindo do local onde o produto havia sido aplicado. Ele simplesmente a bloqueou e não deu nenhuma assistência”, garante.

Wanessa diz que “dr. Bumbum” atendeu pacientes até mesmo em um quarto de hotel em São Paulo. “O estabelecimento descobriu e fomos expulsos. Depois, seguimos para o Rio de Janeiro. Como comecei a questioná-lo, ele me deixou sem assistência alguma. Não tinha nem passagem para voltar a Brasília. Meu esposo viajou até o Rio para me buscar”, ressalta.

Depois disso, a enfermeira afirma ter sido bloqueada pelo médico nas redes sociais. Ele teria sumido sem dar qualquer satisfação, deixando inclusive valores pendentes com a funcionária. Não houve mais contato algum. Porém, ao saber da prisão de Denis em novembro de 2017, em Brasília, a ex-funcionária foi até a delegacia para contar tudo que sabia e auxiliar as investigações.

Como o Metrópoles mostrou nesta quarta-feira (18/7), “dr. Bumbum” transformou uma residência alugada na QI 23 do Lago Sul em clínica clandestina para realizar os procedimentos estéticos. A dona, Flávia Coutinho, só descobriu a irregularidade depois de operação coordenada pela 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul). Na ocasião, três armas foram apreendidas com o médico. O homem ainda deixou uma dívida de R$ 50 mil com a proprietária do imóvel.

Denis cobrava até R$ 20 mil pelos procedimentos. “Os valores nunca iam para a conta dele, mas sim de terceiros. Não emitia nota fiscal para os pacientes e vendia os produtos na própria clínica, não deixando que eles os comprassem em outros estabelecimentos”, destacou Wanessa.

“Os pacientes eram ludibriados. Ele vendia uma quantidade maior do produto, mas, na hora do atendimento, colocava uma menor. Ou então vendia o material e simplesmente desaparecia antes de realizar a aplicação”, acusa.

A ex-funcionária alega que ela e outros pacientes chegaram a denunciar as práticas ilegais de Denis Furtado várias vezes à polícia. Segundo Wanessa, quando aceitou trabalhar com Denis, não tinha conhecimento que o registro profissional do médico havia sido cassado em 2016. “Depois, como fiquei sabendo, a Justiça concedeu liminar para que ele continuasse atendendo”.

Ao ser perguntada se sente arrependimento por ter trabalhado com o profissional, ela responde sem titubear: “Eu me arrependo muito. Se fosse hoje, faria tudo diferente. Teve uma hora que ficou impossível trabalhar com ele e viramos reféns”, afirma, citando também os demais funcionários de Denis.

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