Aos 77 anos, aposentada defende TCC feito em parceria com a mãe, de 98
Marivan Ferraro desenvolveu o projeto de TCC em parceria com a mãe, de 98 anos, e garantiu nota máxima como recém-formada em design

A conquista de um diploma universitário é motivo de alegria em qualquer fase da vida. Para Marivan Ferraro, de 77 anos, o momento ganhou um significado ainda mais especial ao reunir duas que compartilham o amor pela arte. No último dia 9 de junho, a aposentada defendeu seu TCC de design na Universidade de Fortaleza (Unifor).
Entre os convidados, estava uma presença fundamental: sua mãe, Maria Augusta, de 98 anos, que também participou do projeto.
Amor mais puro
O trabalho que garantiu nota máxima à recém-formada consistiu em um livro infantil confeccionado em tecido bordado, inspirado na história bíblica da Arca de Noé, a partir de uma ideia que nasceu dentro da própria família.
Em entrevista ao portal Diário do Nordeste, Marivan contou que a mãe teve papel decisivo na criação. “Minha mãe foi a primeira a pensar na obra”, afirmou.
👩🎓Idosa defende TCC aos 77 anos e recebe mãe na plateia, de 98: ‘Emocionante’
➡️Marivan Ferraro cursa Design na Unifor e apresentou trabalho bordado feito em parceria com a mãe. pic.twitter.com/8RtD1vmx3k
— Diário do Nordeste (@diarioonline) June 23, 2026
A produção do livro foi resultado de uma parceria entre as duas. “Fui para a casa dela, sugeri que fizéssemos alguns desenhos, começamos a pesquisar e, assim, produzimos tudo no tecido com caneta apagável, lápis e transferidor de carbono branco. Nós duas bordamos – primeiro, ela me ajudou, depois eu concluí”, relatou.
Para quem estava na defesa, foi impossível conter a emoção. Além de homenagear a mãe durante a apresentação, a mais nova designer entregou a ela um arranjo de flores confeccionado especialmente para a ocasião, em reconhecimento à contribuição recebida ao longo do projeto e da vida.
Onde tudo começou
A trajetória acadêmica de Ferraro, no entanto, começou muito antes. Na juventude, ela sonhava cursar arquitetura e trabalhar com paisagismo, mas acabou seguindo outro caminho. Formou-se em Letras, construiu carreira como professora da rede pública estadual e se aposentou em 2009.
Anos depois, já com os filhos criados, decidiu voltar à sala de aula — mas, desta vez, novamente como aluna. A oportunidade surgiu quase por acaso, durante uma visita à Unifor em 2022.
Ao conhecer o curso de design, interessou-se pela proposta e resolveu encarar um novo vestibular décadas após sua primeira experiência.

Aprovada, Marivan passou a conviver diariamente com colegas de diferentes gerações e descobriu novos interesses.
O projeto do livro infantil nasceu justamente dessa fase de reinvenção. Segundo ela, o material foi pensado para as crianças pequenas, que ainda não dominam a leitura convencional.
“A criança lê com as mãos. A teoria explica e justifica que os pequenos começam lendo assim. O público para esse livro, então, são pessoas de 2 a 4 anos de idade, ou seja, crianças não leitoras. Um livro-brinquedo, para os pais lerem quando o filho for dormir, e que serve até de travesseiro, se a criança quiser dormir com ele”, explicou.
Ainda há muito o que viver
Agora, a aposentada pretende revisar a obra e ampliar o projeto com novos títulos voltados ao público infantil. A inciativa também funciona como uma forma de valorizar o legado de Maria Augusta, que, aos 98 anos, segue ativa, escreve livros, ministra aulas de Hermenêutica Bíblica e mantém uma rotina independente.
Ao refletir sobre a própria trajetória, ela resumiu a filosofia que a acompanha recordando um conselho recebido de uma tia: “A gente tem que viver morrendo, e não morrer vivendo”.
Além disso, a idade não é encarada como um limite. “A vida não acabou porque você tem uma idade avançada. Cada dia eu vivo o dia. Não sonho muito longe, não. Não tenho sonhos muito impossíveis. Sonho e vou realizando”, concluiu.

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