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Vidro e além: como Shyamalan criou uma franquia única de super-heróis

Novo longa fecha um ciclo ao lado de Corpo Fechado (2000) e Fragmentado (2016). Saga levou quase duas décadas para ganhar forma

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Universal Pictures/Buena Vista/Divulgação
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1 de 1 vidro1 - Foto: Universal Pictures/Buena Vista/Divulgação

Quando Shyamalan lançou Corpo Fechado (2000), quase duas décadas atrás, crítica e público receberam o filme com um misto de admiração e desconforto. Hoje, ninguém nega que se trata de um longa icônico. A história desconstruiu o cinema de super-heróis antes do boom do gênero (e das bilionárias franquias das editoras Marvel e DC) e trouxe a vibração dos quadrinhos para as tragédias e alegrias do mundo real. Esse universo ganha um desfecho no recém-lançado Vidro.

À época, porém, não foi bem assim. O sucesso de O Sexto Sentido (1999) – seis indicações ao Oscar, segunda maior bilheteria do ano (US$ 672,8 milhões), só atrás de A Ameaça Fantasma, o filme da primeira retomada de Star Wars – impôs pressões ao diretor indiano radicado na Filadélfia.

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Ele respondeu com um sofisticado e desapressado conto de origem sobre um herói relutante (o segurança David Dunn, vivido por Bruce Willis), único sobrevivente de um acidente de trem, e seu misterioso mentor e inimigo, Elijah Price (Samuel L. Jackson), um galerista apaixonado por HQs.

Quentin Tarantino fez algo parecido nos anos 1990. Após Cães de Aluguel (1992) e Pulp Fiction (1994), desconcertou meio mundo com o romântico Jackie Brown (1997) – talvez seu melhor trabalho.

Corpo Fechado não foi exatamente tão mal de bilheteria assim – US$ 248,1 milhões –, mas parece não ter impressionado os estúdios de Hollywood – no caso, a Buena Vista, subsidiária da Disney que acompanhou o cineasta indiano até A Vila (2004), retornando agora em Vidro.

Na verdade, Shyamalan sempre pensou em uma trilogia baseada na estrutura básica de uma história em quadrinhos: origem do herói, surgimento do vilão e confronto final, todas as etapas envolvidas por um antagonista cujo superpoder é a mente (Price, o gênio dos ossos de vidro).

Kevin Wendell Crumb (James McAvoy), o homem de 24 personalidades que protagoniza Fragmentado (2016) e aterroriza adolescentes ao se apresentar como a Besta, era para ter sido apresentado já em Corpo Fechado. Mas Shyamalan guardou a ideia para depois.

O cineasta viveu o melhor e o pior de Hollywood até conseguir reabrir a saga sobrenatural planejada lá atrás. Filmes como A Vila (2004), A Dama na Água (2006) e Fim dos Tempos (2008) dividiram público e crítica. Os demonizados O Último Mestre do Ar (2010) e Depois da Terra (2013) tornaram o autor alvo de ridicularização constante – e injusta.

Acostumado a orçamentos parrudos, Shyamalan reconfigurou seu estilo a partir de gastos modestos e parcerias com a produtora Blumhouse, de Jason Blum, o lugar para se estar quando a proposta é terror contemporâneo eficiente, de baixo custo e grande margem de lucro – Corra! (2017) e as franquias Invocação do Mal, Sobrenatural e Atividade Paranormal foram criadas pelo selo.

A Visita (2015) aproveitou a onda found footage (“gravação encontrada”, estética de A Bruxa de Blair e Cloverfield: Monstro, por exemplo) para remexer as bases de um subgênero já gasto. Custou US$ 5 milhões, arrecadou US$ 98 milhões.

Então veio Fragmentado, história de origem da Horda, apelido das múltiplas personas encarnadas pelo perturbado Kevin Wendell Crumb. Consumiu US$ 9 milhões e atraiu bilheteria de US$ 278 milhões.

Shyamalan, mais uma vez, enganou todo mundo. Deixou para a última cena a brecha que precisava para conectar os pontos da trama a Corpo Fechado, com a aparição de David Dunn em um restaurante e uma menção ao excêntrico Price na televisão do estabelecimento.

Agora, só vendo Vidro para saber como tudo termina – “e será que acaba aqui mesmo?”, perguntam-se os fãs do diretor. O Metrópoles assistiu e aprovou.

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