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O que está em jogo em possível novo tarifaço dos EUA sobre o Brasil

Governo americano deve anunciar se amplia tarifaço sobre produtos brasileiros; Veja quais setores podem ser afetados

15/07/2026 04:30
Tarifaço: decisão dos EUA deve sair nesta quarta. O que está em jogo?
Tarifaço: decisão dos EUA deve sair nesta quarta. O que está em jogo?

A expectativa do governo brasileiro e do setor produtivo é de que os Estados Unidos (EUA) anunciem nesta quarta-feira (15/7) se vão ampliar o tarifaço sobre produtos brasileiros, um movimento que pode atingir uma fatia relevante das exportações do país.

A decisão ocorre em meio à escalada de tensões comerciais e pode consolidar um novo ciclo de barreiras contra produtos produzidos no Brasil.

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que cerca de 4 mil produtos podem ser atingidos. Juntos, eles representam US$ 14,9 bilhões em exportações aos EUA, um dos principais destinos das exportações brasileiras.

O que pode mudar com novo tarifaço

A principal expectativa é que os EUA confirmem a aplicação de uma tarifa adicional de até 25% sobre produtos brasileiros investigados. Se confirmadas, as tarifas ampliam um conjunto de restrições já iniciado anteriormente, quando Washington passou a impor taxas extras sobre determinados itens importados.

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O efeito tende a ser direto e produtos brasileiros ficam mais caros, o que reduz a competitividade frente a concorrentes de outros países.

Embora a lista final dependa da decisão americana, o impacto deve se concentrar na indústria. Isso porque a maior parte das exportações brasileiras para os EUA é composta por bens intermediários, como peças, componentes e insumos usados por fábricas americanas.

Isso significa que as tarifas não afetam apenas o Brasil. Empresas americanas que dependem desses insumos também podem enfrentar aumento de custos.

Setores como metalurgia, máquinas e equipamentos, químicos e autopeças aparecem entre os mais expostos, segundo a indústria.

Veja os principais produtos afetados: 

  • Ferro-gusa não ligado;
  • Açúcar de cana em forma sólida;
  • Álcool etílico não desnaturado;
  • Tabaco curado por fumaça ou processado; e
  • Hidróxido de alumínio.

O governo americano sustenta que as medidas fazem parte de uma estratégia para proteger sua indústria e corrigir práticas consideradas desleais no comércio internacional.

As investigações abertas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) envolvem diferentes frentes e incluem, por exemplo, discussões sobre padrões comerciais e questões relacionadas a regras trabalhistas.

Do lado brasileiro, a estratégia tem sido tentar evitar a escalada do conflito. O governo defende que as tarifas prejudicam os dois lados, já que boa parte do que o Brasil exporta é utilizada dentro da própria indústria americana.

Novos mercados

Mesmo antes da decisão desta semana, o cenário já vinha provocando mudanças no comércio exterior brasileiro. Desde o primeiro ciclo de tarifas imposto pelos Estados Unidos, empresas passaram a buscar novos destinos para suas exportações, em uma tentativa de reduzir a dependência do mercado americano.

A estratégia inclui ampliar vendas para países da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina, além de diversificar clientes e produtos.

Esse movimento não elimina os efeitos de novas barreiras, mas tem ajudado a amortecer impactos e a tornar o Brasil menos vulnerável a decisões unilaterais de grandes parceiros comerciais.

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Novo embate comercial entre Brasil e Estados Unidos reacende discussões sobre tarifas e leva governo e Congresso a avaliarem estratégias de reação à proposta norte-americana de taxar produtos brasileiros
Lula e Trump em encontro na Casa Branca
Lula e Trump em encontro na Casa Branca
Presidente Lula em reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump
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Presidente Lula em reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump

Ricardo Stuckert / PR
Novo embate comercial entre Brasil e Estados Unidos reacende discussões sobre tarifas e leva governo e Congresso a avaliarem estratégias de reação à proposta norte-americana de taxar produtos brasileiros
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Novo embate comercial entre Brasil e Estados Unidos reacende discussões sobre tarifas e leva governo e Congresso a avaliarem estratégias de reação à proposta norte-americana de taxar produtos brasileiros

Ricardo Stuckert/PR
Lula e Trump em encontro na Casa Branca
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Lula e Trump em encontro na Casa Branca

Ricardo Stuckert/Presidência da República
Lula e Trump em encontro na Casa Branca
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Lula e Trump em encontro na Casa Branca

Reprodução/ Ricardo Stuckert/ PR

Entenda o novo tarifaço americano

  • Os Estados Unidos devem anunciar nesta quarta se vão ampliar as tarifas contra produtos brasileiros, após acusação de práticas econômicas desleais;
  • Cerca de 4 mil itens exportados pelo Brasil podem ser atingidos, somando cerca de US$ 14 bilhões em vendas;
  • A sobretaxa pode chegar a até 25%, ou mais, a depender da combinação com outras medidas e a indústria deve ser a mais afetada, especialmente setores que vendem insumos para fábricas americanas;
  • O governo tenta negociar, enquanto empresas aceleram a busca por novos mercados fora dos EUA.

Posição do governo

Na terça-feira (14/7), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo aguarda o anúncio das tarifas para avaliar os próximos passos.

De acordo com ele, é possível que seja editada uma nova Medida Provisória (MP), nos moldes do Plano Brasil Soberano, para ajudar exportadores que serão afetados pelas tarifas.

Além disso, o ministro não descartou o uso da Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, contra o tarifaço imposto pelo governo americano.

Em nota, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), afirmaram que se reuniram com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, na noite de terça para discutir o tema, um dia antes do anúncio sobre as tarifas.

“Como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas. Cumprindo a orientação do Presidente Lula, reiterou-se que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado”, diz o texto.


Cronologia do tarifaço

  • 2 de abril de 2025 – O presidente americano, Donald Trump, anuncia a taxação de 10% para diversos países;
  • 9 de abril de 2025 – Após reação dos mercados, Trump adia por 90 dias a aplicação de parte das tarifas recíprocas para diversos parceiros comerciais;
  • Maio de 2025 – Brasil intensifica negociações e representantes do governo brasileiro iniciam conversas com autoridades americanas e com o setor privado para tentar reduzir os impactos das tarifas sobre as exportações;
  • Junho de 2025 – Trump assina uma ordem executiva para ampliar tarifas de aço e alumínio exportados de 25% para 50%;
  • Julho de 2025 – O presidente americano envia uma carta ao Brasil ameaçando taxar o país em 50%. Como justificativa, Trump cita o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que há época estava sendo julgado por tentativa de golpe de Estado;
  • 30 de julho de 2025 – Trump oficializa tarifas de 50% contra produtos brasileiros, no entanto, apresentou uma lista de isenção;
  • 6 de agosto de 2025 – Vigor da taxação de 50%; composta por uma sobretaxa de 40% aos 10% anunciados inicialmente;
  • Setembro de 2025 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump se encontraram durante a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, Trump disse que “rolou um clima” entre eles;
  • Outubro de 2025 – Os presidentes conversaram por telefone sobre o tarifaço e marcaram de continuar as discussões;
  • Novembro de 2025 – Trump assinou uma ordem executiva retirando as sobretaxas de 40%;
  • Fevereiro de 2026 – A Suprema Corte americana considerou ilegais as tarifas aplicadas pelo governo Trump e reverteu a decisão;
  • Junho de 2026 – Uma investigação contra práticas comerciais brasileiras conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sugeriu a aplicação de tarifas de 25%;
  • Junho de 2026 – Uma investigação contra países que possuíam mão de obra escrava sugeriu a imposição de taxas de 12,5% contra o Brasil, totalizando 37,5%.
  • 15 de julho de 2026 – Prazo final para o governo americano decidir se vai ou não taxar o Brasil, de acordo com a sugestão do USTR.