Box 24 celebra a cultura de boteco na Quituart com muita costela

Empreitada do chef Tonico Lietchtenstein é um bom lugar para se conhecer na cidade

Julia Bandeira/Especial para o MetrópolesJulia Bandeira/Especial para o Metrópoles

atualizado 26/01/2019 21:53

Não se deixe enganar pela fartura posta à mesa. Apesar de servir como prato principal um generoso corte do tipo janela da costela bovina, o chef Tonico  Lichtsztejn pretende mesmo marcar terreno como um bom botequim. Ele, que esteve à frente do 400quatrocentos, na Asa Norte, servindo um dos melhores croquetes que você poderia encontrar em Brasília, está de casa nova e com sua cara: Box 24, no centro gastronômico Quituart, no Lago Norte.

Tonico é um chef de cozinha de mão cheia e um assador experiente. Montou a cozinha do Cowtainer, no Pier 21, com a qual ainda permanece colaborando, mas poderia, com facilidade, assumir a operação de qualquer restaurante de parrilla da cidade. Mas não há como negar sua vocação para a cultura de boteco.

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Tonico Lietchtenstein e sua especialidade: a costela

 

Aqui ele está completamente à vontade, servindo uma comida mais apaixonada. Ao vestir o jaleco azul e adentrar o pequeno espaço do box de número 24 da Quituart, Tonico prepara alguns clássicos de botequim que, por incrível que pareça, são difíceis de se encontrar no menu dos bares da cidade.

A começar pelo bolovo. Ao que me recordo, só quem o servia era o Loca Como Tu Madre, quando a chef Renata Carvalho estava por lá. Faz um tempinho. Tonico prepara o seu com linguiça moída envolvendo um ovo cozido à perfeição, e depois o empana e frita (R$ 12 a unidade). Vai à mesa fechadinho, com uma incisão indicando o lugar do corte. Fica a cargo do cliente fatiar o salgado no gesto quase pornográfico de se fazer a gema ainda mole escorrer pelas laterais da faca e melar o bolinho de carne que a envolve.

Do repertório mais conhecido do chef surgem os tradicionais e saborosíssimos croquetes de carne de panela e de frango com angu (uma ode ao espírito mineiro do boteco). O segredo está na crocância levemente adstringente conferida pela mistura da farinha de pão com o bagaço de malte torrado que sobra da produção caseira de cerveja (R$ 29 a porção com sete unidades).

 

 

Outro prato ideal para se levar com um chope gelado a espantar o mafuá da praça da Quituart nesses dias de calor é o tutano assado, temperado com ervas e servido com fatias de pão (R$ 32). A gordura instalada no interior do osso, com a caramelização do fogo e o tempero de Tonico, confere à iguaria maior complexidade e finesse que qualquer manteiga trufada por aí.

Embora atenda em boa medida a boemia do Lago Norte, os boxes da Quituart não podem se furtar à principal demanda da clientela: o almoço de fim de semana. O Box 24 coloca, pois, opções que mantêm a aderência ao projeto de cultura de boteco neste quesito – incluindo na programação das quintas de noite uma roda de choro.

Há um mexido de arroz com aparas da costela finalizado com dois ovos caipiras fritos (R$ 35) e o bifão do cozinheiro (R$ 45). Este último, um pê-efe classicão com um corte extraído do miolo da paleta e batido, servido com arroz, feijão e farofa. Ambas as porções são individuais, mas podem ser divididas tranquilamente, de tão bem-servidas.

Costela
Todas essas opções são ótimas distrações no Box 24. Mas o central não deixa de ser, no final das contas, o belo e tenro pedaço de costela bovina assada, com o osso descolando da carne (R$ 77, para duas pessoas) e guarnecido de legumes assados. Pode vir também (à parte) com creme de mandioca, farofa, arroz ou com sua escolha entre outros tantos acompanhamentos.

Parece muito com a porção servida no Cowtainer. Mas aqui Tonico usa a janela da costela, ao contrário da típica ponta de agulha (minga). É um corte que requer mais atenção ao cozimento, pois trata-se de um pedaço mais carnudo que, teoricamente, não seria tão suculento. O resultado apresenta equilíbrio perfeito entre gordura e músculo, sem falar que aparenta ser bem mais esbelto.

O Box 24 tem a simplicidade e a informalidade como traços centrais do despojamento de um típico boteco mineiro, mas apresenta-se tecnicamente criterioso e consistente, o que eleva a experiência de uma mera petiscaria entre goles de chope para um potente referencial da boa cozinha brasileira.

Box 24
Na Quituart, QI 10, Canteiro Central, Lago Norte. Quinta e sexta, das 19h às 23h; sábado e domingo, das 12h às 16h. Ambiente interno. Estacionamento. Desde 2018

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