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Saúde

Viver até os 100 anos depende de genética, hábitos e convívio social

A revisão de 124 estudos mostra que alimentação, atividade física, relações sociais e fatores genéticos atuam em conjunto

20/07/2026 10:19, atualizado 20/07/2026 10:28
Getty Images
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Não existe um segredo único para chegar aos 100 anos. Essa é a conclusão de uma revisão científica que reuniu 124 estudos publicados ao longo de 55 anos sobre centenários e supercentenários. O trabalho, publicado em 14 de julho na revista Discover Public Health, mostra que a longevidade é resultado da combinação de fatores biológicos, hábitos de vida e condições sociais.

A análise foi conduzida por pesquisadores da Universidade Americana do Cairo, no Egito, e reuniu pesquisas sobre pessoas com 100 anos ou mais. Segundo os autores, embora algumas características apareçam com frequência entre os centenários, nenhuma delas, isoladamente, explica por que algumas pessoas vivem tanto.

O que os estudos encontraram

Os pesquisadores avaliaram trabalhos que analisaram desde fatores genéticos até alimentação, atividade física, personalidade e relações sociais.

Na parte biológica, os estudos apontaram que pessoas muito longevas costumam apresentar mecanismos mais eficientes de reparo do DNA, melhor controle da inflamação, funcionamento mais preservado das mitocôndrias e diferenças no metabolismo.

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A genética também exerce um papel importante, mas não existe um único “gene da longevidade”. Os pesquisadores observaram que diversos genes parecem contribuir com pequenos efeitos que, somados, aumentam as chances de viver mais.

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Já entre os hábitos de vida, os fatores mais frequentes foram uma dieta baseada principalmente em alimentos de origem vegetal, prática regular de atividades físicas do dia a dia, como caminhadas e jardinagem, ausência do tabagismo e manutenção de vínculos familiares e sociais.

Traços de personalidade, como resiliência e menor tendência ao estresse emocional, também apareceram repetidamente entre os centenários avaliados.

Doenças aparecem mais tarde

Outro ponto observado é que muitas pessoas que chegam aos 100 anos desenvolvem doenças crônicas apenas em idades mais avançadas. Esse fenômeno é conhecido pelos pesquisadores como “compressão da morbidade”, quando os problemas de saúde ficam concentrados em um período menor da vida.

No entanto, isso não acontece com todos. Alguns centenários desenvolvem doenças ainda na meia-idade ou na velhice, mas conseguem conviver com elas durante décadas.

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Os pesquisadores classificaram essas pessoas em três grupos. Há aquelas que praticamente evitam as principais doenças relacionadas ao envelhecimento, as que desenvolvem essas condições apenas muitos anos depois da média da população e as que sobrevivem por longos períodos mesmo após receberem um diagnóstico.

Ainda não há uma fórmula

Apesar de identificar características comuns entre pessoas muito longevas, os autores destacam que a revisão não prova que esses fatores sejam responsáveis, por si só, por aumentar a expectativa de vida. Isso porque os estudos analisam apenas quem chegou aos 100 anos e não permitem comparar essas pessoas com outras que tinham hábitos ou características semelhantes, mas morreram antes.

Segundo os pesquisadores, serão necessários estudos que acompanhem grandes grupos de pessoas ao longo de muitos anos para confirmar quais fatores realmente aumentam as chances de alcançar uma longevidade excepcional. Enquanto isso, as evidências continuam indicando que viver mais depende de uma combinação de genética, estilo de vida e ambiente, e não de um único hábito ou estratégia.