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Supercentenários do Brasil revelam pistas da longevidade humana

Estudo mostra que a diversidade genética brasileira pode ajudar a explicar por que algumas pessoas vivem mais de 110 anos com saúde

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Foto colorida de idosos de mãos dadas dançando com o rosto colado - Metreópoles.
1 de 1 Foto colorida de idosos de mãos dadas dançando com o rosto colado - Metreópoles. - Foto: FG Trade / Getty Images

Viver além dos 110 anos é algo extremamente raro. Pessoas que atingem essa idade são chamadas de supercentenárias e representam menos de uma em vários milhões no mundo.

No Brasil, porém, esse grupo chama cada vez mais a atenção da ciência. Pesquisadores acreditam que a combinação entre diversidade genética, história populacional única e resiliência biológica pode ajudar a explicar como alguns brasileiros conseguem viver tanto — e bem.

Essa é a proposta de um novo artigo científico liderado pela geneticista Mayana Zatz, professora da Universidade de São Paulo (USP), publicado nesta terça-feira (6/1) na revista científica Genomic Psychiatry.

O trabalho reúne dados de supercentenários brasileiros para entender quais fatores genéticos e biológicos estão por trás da longevidade humana extrema.

Por que o Brasil é importante para esse tipo de estudo

Diferentemente de muitos países onde pesquisas genéticas são feitas com populações mais homogêneas, o Brasil tem uma das maiores diversidades genéticas do mundo. Essa mistura é resultado da ancestralidade indígena, africana, europeia e asiática ao longo de séculos.

Segundo os pesquisadores, essa diversidade aumenta a chance de encontrar variantes genéticas raras, que podem proteger o organismo contra doenças comuns do envelhecimento, como câncer, problemas cardiovasculares e demência.

Estudos genéticos anteriores com brasileiros já identificaram milhões de variantes genéticas que não aparecem em grandes bancos de dados internacionais, mostrando que o país ainda é pouco explorado pela ciência global — apesar de seu enorme potencial.

Quem são os supercentenários brasileiros estudados

A equipe analisou uma coorte formada por mais de 160 centenários, incluindo 20 supercentenários validados, de diferentes regiões do país. Entre eles estava a Freira Inah Canabarro, reconhecida como a pessoa mais velha do mundo até sua morte em 2025, aos 116 anos.

O grupo inclui ainda os dois homens mais velhos do mundo, um que morreu aos 112 anos e outro que segue vivo aos 113 anos. O que chama a atenção dos cientistas é que muitos desses idosos mantinham lucidez, autonomia e boa capacidade funcional, algo incomum em idades tão avançadas.

Foto colorida de mulher idosa andando com ajuda de bengala em um jardim cheio de flores rosas -Metrópoles.
Freira Inah Canabarro Lucas vivia em Porto Alegre e tinha 116 anos. Ela assumiu a posição de mais velha do mundo em janeiro de 2025

O que o corpo desses idosos tem de diferente

Ao estudar células e sistemas do organismo desses supercentenários, os pesquisadores encontraram sinais claros de resistência biológica ao envelhecimento:

  • As células conseguem eliminar proteínas danificadas de forma eficiente, evitando o acúmulo de resíduos celulares.
  • O sistema imunológico permanece mais ativo e organizado do que o esperado para a idade.
  • Alguns supercentenários brasileiros sobreviveram à Covid-19 antes das vacinas, produzindo altos níveis de anticorpos, o que indica uma resposta imune surpreendentemente forte.

Longevidade também pode vir da família

Esses dados mostram que, nesses indivíduos, o envelhecimento não acontece da mesma forma que na maioria da população. Outro ponto importante observado no estudo foi a repetição da longevidade dentro de algumas famílias.

Em um dos casos citados, uma mulher de 110 anos tinha três sobrinhas com idades entre 100 e 106 anos, sendo que uma delas competiu em campeonatos de natação aos 100 anos. Esse padrão reforça a ideia de que a genética tem um peso importante para alcançar idades extremas — embora o estilo de vida também conte.

Para os autores do estudo, entender como esses brasileiros envelhecem pode ajudar a ciência a ir além da pergunta “como viver mais?” e focar em “como viver mais com saúde”.

A equipe defende que populações diversas, como a brasileira, precisam ser incluídas em grandes pesquisas internacionais sobre envelhecimento. Os supercentenários brasileiros representam um verdadeiro tesouro genético. Ao estudar como seus corpos resistem ao tempo, a ciência ganha pistas valiosas sobre os limites da vida humana e sobre como prolongar os anos com qualidade.

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