Variante Delta do coronavírus aumenta risco de reinfecção, diz estudo

A pesquisa foi feita pela Universidade de Oxford, do Reino Unido, com a participação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

atualizado 30/06/2021 16:09

vírusUnsplash/Fusion Medical Animation

Um estudo liderado pela Universidade de Oxford, do Reino Unido, com a participação de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indica que a variante Delta pode aumentar os riscos de reinfecção pelo novo coronavírus.

Detectada inicialmente na Índia, a cepa B.1.617 já está presente em 92 países, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), e, até o momento, é responsável por duas mortes no Brasil.

A pesquisa, publicada na revista científica Cell, aponta que o soro de pessoas que já foram infectadas por outras variantes é menos potente contra a Delta (B.1.617). Os piores resultados foram encontrados em pacientes expostos à Gama (P.1), identificada originalmente em Manaus e dominante no Brasil, e à Beta (B.1.351), registrada pela primeira vez na África do Sul. Nestes casos, a capacidade dos anticorpos neutralizarem a Delta foi 11 vezes menor.

O estudo revela ainda que as vacinas de RNA mensageiro e vetor viral, como a Pfizer/BioNTech e a Oxford/AstraZeneca, continuam eficazes contra a infecção pela Delta.

A eficácia, porém, apresenta redução; é 4,3 vezes menor para o imunizante da AstraZeneca e 2,5 vezes menor para o da Pfizer. Os pesquisadores ressaltam que os resultados são semelhantes aos verificados com as variantes Gama e Alfa (B.1.1.7), originária do Reino Unido.

A redução da eficácia é causada pela mutação sofrida pelo coronavírus na proteína spike, a coroa que se liga às células humanas.

Segundo os cientistas, na Delta há uma maior afinidade com os receptores celulares do que em outras linhagens que circularam no início da pandemia. Por outro lado, a afinidade da Delta é inferior à verificada nas outras variantes de preocupação. “Parece provável, a partir desses resultados, que as vacinas atuais de RNA e vetor viral fornecerão proteção contra a linhagem B.1.617 (que possui três sublinhagens, incluindo a variante Delta), embora um aumento nas infecções possa ocorrer como resultado da capacidade de neutralização reduzida dos soros”, afirmam os pesquisadores.

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