Vaper pode ter causado pneumonia rara em pacientes dos EUA

Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano relaciona o cigarro eletrônico à pneumonia lipoide, doença que atinge 2,5% da população

atualizado 13/09/2019 22:24

Unsplash/Divulgação

Um boletim divulgado na última quinta-feira (13/09/2019) pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos  informou que um raro tipo de pneumonia, conhecida como pneumonia lipoide, pode estar relacionada ao uso de cigarro eletrônico. Até agora, mais de 500 usuários foram internados no país por conta dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEF). De acordo com o órgão, mais de 200 pacientes foram diagnosticados com lesão pulmonar aguda potencialmente associada aos dispositivos nos últimos seis meses. Ao menos cinco deles desenvolveram pneumonia lipoide.

De acordo com um estudo de 2003 da Faculdade de Medicina Albert Einstein e do Centro Médico Montefiore, em Nova York, a doença atinge apenas 2,5% da população. A aspiração de óleo pelos pulmões tem sido descrita como causa da pneumonia lipoide há muito tempo, segundo a declaração da CDC. Uma possível explicação para o surgimento da doença seria a de que partículas dos óleos aerossolizados inalados podem ficar depositadas nos pulmões, inflamando o órgão.

Sobre esse tema, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) divulgou uma nota informando que a maioria dos vapers utiliza propilenoglicol (gelo seco) para a entrega da nicotina, enquanto os cigarros aquecidos utilizam glicerol. O aerossol desses dispositivos libera partículas finas (de baixo peso molecular), que podem ficar presas nos pulmões, causando a inflamação.

Os pacientes norte-americanos com pneumonia lipoide tinham entre 18 e 35 anos. Todos apresentaram taquipnéia (respiração rápida), hipoxemia (baixo nível de oxigênio no sangue) e infiltrações bilaterais nos pulmões. Os sintomas da doença são frequentemente inespecíficos, com imagens variáveis ​​no tórax, o que pode levar a um atraso ou falta de diagnóstico, de acordo com o CDC.

Outro ponto em comum entre os pacientes foi o uso recente de óleos de maconha (com a presença da substância tetrahidrocanabinol, o THC) ou outros óleos concentrados “comprados na rua”, o que pode indicar que os produtos não eram produzidos pelos fabricantes dos dispositivos. Três dos pacientes também usaram cigarros eletrônicos contendo nicotina e dois deles fumavam maconha ou cigarro convencional, embora nenhum deles usasse outras drogas ilícitas.

Segundo o CDC, os cinco pacientes foram hospitalizados por insuficiência respiratória hipoxêmica, caracterizada pela falta de oxigênio no sangue. Três precisaram de tratamento intensivo para a síndrome do desconforto respiratório agudo, um dos quais necessitou de intubação e ventilação mecânica. Todos os pacientes sobreviveram.

Perigo direcionado a adolescentes
Por conta da grande quantidade de casos envolvendo o uso de vapers entre jovens, o governo norte-americano anunciou nesta quarta-feira (11/09/2019) que pode proibir a venda de e-cigarrets com sabor. Em uma reunião com autoridades de saúde, Donald Trump justificou a medida: “Não podemos permitir que as pessoas fiquem doentes. E não podemos deixar nossos filhos tão afetados”. A agência de vigilância sanitária dos EUA (FDA) estaria desenhando um plano para retirar os produtos do mercado.

O estado de Michigan foi o primeiro a proibir a comercialização de cigarros eletrônicos com sabor. Nova York, Massachusetts e Califórnia podem ser os próximos. Atualmente, o governo dos Estados Unidos enfrenta grande pressão de legisladores, profissionais de saúde pública, educadores e população em geral para acabar com a venda dos vapers.

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