Técnica de enfermagem se emociona ao receber vacina contra Covid-19 no DF

Joelma de Souza, 36 anos, foi a sétima participante do estudo realizado no HUB e recordou ter perdido colega de trabalho para a doença

atualizado 06/08/2020 17:11

Joelma de Souza - voluntária da vacina (2)Jacqueline Lisboa/Especial Metrópoles

O principal critério para participar do estudo com testes clínicos da vacina candidata à Covid-19, em Brasília, é ser profissional de saúde atuante no front do enfrentamento da doença. A técnica de enfermagem Joelma de Souza, 36 anos, foi uma das dez primeiras escolhidas por atuar com pacientes do Hospital Universitário de Brasília (HUB) e Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

“A cada dia que passa é maior o número de profissionais de saúde que vêm a óbito. Inclusive, eu tive colegas do Hran”, contou, emocionada. “Eu tenho otimismo e acredito que vai dar certo. A minha intenção é que a ciência comprove com resultados positivos. Que possa liberar a economia do país e melhorar a saúde das pessoas”, completou Joelma.

Ela relata uma rotina exaustiva, com longas jornadas de trabalho e mais rigor na paramentação para evitar infecções pelo novo coronavírus. “É bem corrido. A nossa rotina mudou bastante, principalmente na questão de ficar continuamente, tantos horas sem poder comer ou ir ao banheiro”, lembra.

Joelma se sentiu encorajada a participar do projeto, atualmente em fase 3, com testes clínicos em larga escala, por ser um estudo com coordenação nacional do Instituo Butantan. Além disso, no passado, ela trabalhou na área de imunização e teve contato com a mesma tecnologia usada na vacina da Sinovac Biotech, com o vírus inativado, o que deu mais tranquilidade para que ela se voluntariasse.

A técnica de enfermagem se sente agradecida por entrar no quinto mês da pandemia do novo coronavírus sem ter sido infectada.  Ela espera olhar para trás, no futuro, e ver que contribuiu para o desenvolvimento de uma vacina que salvou milhões de vidas. “Eu acredito muito nas vacinas e vi muitos pacientes morrendo. Tenho esperança que alguma coisa possa ser feita para prevenir. Daqui a dez anos, quando a gente vir que tudo modificou graças a uma vacina que deu certo, vai ser uma história que vai trazer muita alegria de contar para os filhos, de mostrar que a gente contribuiu e tem outras pessoas vivas graças a isso”, completou.

Joelma foi a sétima participante do estudo realizado no HUB, que encerra a primeira fase de aplicações nesta quinta-feira com outros três voluntários. A tendência é que as injeções sejam retomadas na próxima semana, com ritmo mais acelerado e mais participantes por dia.

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