Saúde do DF promete realizar até 6 cirurgias metabólicas por semana

O procedimento estará disponível para pacientes que sofrem de diabetes tipo 2 e estão em tratamento há pelo menos dois anos

Breno Ekasi/Secretaria de SaúdeBreno Ekasi/Secretaria de Saúde

atualizado 26/06/2019 20:41

Depois da realização da primeira cirurgia metabólica para tratamento do diabetes tipo 2 na rede pública, o secretário de Saúde do DF, Osnei Okumoto, e o médico Renato Teixeira, coordenador do Serviço de Cirurgia do Diabetes do DF, anunciaram que o Hospital Regional da Asa Norte está preparado para fazer até seis cirurgias do tipo por semana. O procedimento estará disponível para pacientes que estão há pelo menos dois anos em tratamento sem apresentar resultados de controle significativos.

A estimativa da Secretaria de Saúde é que pelo menos 10% da população do DF sofra com diabetes e que, desses, pelos menos 90% tenham diabetes tipo 2. A cirurgia não é indicada para pacientes com mais de 70 anos,que já tenham o diagnóstico há mais de 10 anos e não tenham diabetes tipo 1 latente (diagnóstico do tipo 2, mas com a possibilidade de a doença ter se desenvolvido por conta de uma diabetes tipo 1).

A técnica da cirurgia metabólica – na qual parte do estômago do paciente é ligada à porção final do intestino, existe desde 1958 –, mas só em 2016 houve consenso científico sobre a efetividade dela para pacientes que sofrem de diabetes tipo 2. “O procedimento é semelhante a uma cirurgia bariátrica, com a diferença que o objetivo não é o emagrecimento, mas a regularização dos níveis de insulina feita pelo próprio corpo do paciente”, explicou o médico Renato Teixeira durante coletiva de imprensa.

O diabetes se caracteriza por um aumento da glicose no sangue por conta de problemas de funcionamento do pâncreas. O sangue se torna excessivamente ácido e produz prejuízos diversos para o corpo a longo prazo, como cegueira, amputação de órgãos, falência renal e doenças cardiovasculares, que incluem a possibilidade de infarto. “A diabetes do tipo 2 é uma doença muito penosa para o paciente e para a família. O controle dos níveis de glicose é muito difícil e o tratamento com medicamentos, custeado pelo Estado, é muito caro”, explicou o especialista.

A cirurgia é minimamente invasiva, feita por laparoscopia e dura cerca de 40 minutos. Ao diminuir o trânsito dos alimentos no intestino, o procedimento antecipa a produção de uma substância chamada incretina, que atua no pâncreas fazendo-o produzir a insulina que reduz os níveis de glicose no sangue. O secretário de Saúde, Osnei Okumoto, lembrou que o DF se torna a primeira unidade da Federação a oferecer o procedimento de maneira gratuita, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “É uma conquista muito importante para a população, pois é um método seguro, que alivia o sofrimento do paciente e de seus familiares”, afirmou.

A paciente operada na terça-feira (25/06/2019) passa bem e a expectativa dos médicos é que ela receba alta nesta quinta-feira (27/06/2019). Depois da realização do procedimento, ela será acompanhada por uma equipe multidisciplinar do hospital durante um ano para que sua saúde seja monitorada em detalhes.