Reino Unido registra recorde de casos e internações por Covid-19 após nova cepa

De acordo com o serviço de saúde inglês, número de pessoas internadas atualmente supera os da primeira onda da doença

atualizado 29/12/2020 12:34

homem hospital covid coronavírusMufid Majnun/Unsplash

Os novos casos e internações provocados pelo coronavírus preocupam autoridades de saúde do Reino Unido. De acordo com informações do Serviço Nacional de Saúde (NHS), a Inglaterra tinha 20.426 pacientes internados na segunda-feira (28/12). Em abril, quando o país passava pela primeira onda da doença, o número máximo registrado havia sido de 18.974 internados. O órgão de saúde inglês também anotou 41.385 novos casos de Covid-19 na segunda.

O País de Gales e a Escócia também registram números alarmantes. Segundo autoridades de saúde dos dois países, os hospitais locais estão à beira da superlotação. De acordo com o levantamento da Universidade Johns Hopkins, 2,3 milhões de britânicos já foram contaminados pelo Sars-CoV-2 e 71,2 mil pessoas morreram.

A nova cepa do coronavírus pode ser a responsável pela alta no número de casos, de acordo com especialistas britânicos. Por conta da variante, que pode ser até 70% mais contagiosa que versões anteriores do vírus, o Reino Unido vive um novo lockdown.

Em entrevistas, Simon Stevens, diretor geral do NHS na Inglaterra, lamentou a perda de “parentes, amigos, colegas em uma época em que normalmente estaríamos celebrando”. Segundo ele, o país está “de volta ao olho do furacão com uma segunda onda de coronavírus varrendo a Europa”.

Segundo informações da imprensa britânica, os assessores do primeiro-ministro Boris Johnson recomendaram que as escolas inglesas permaneçam fechadas. A promessa do governo, contudo, é realizar testes em massa para manter universidades e escolas secundárias abertas. Cerca de 1,5 mil soldados podem ser deslocados para auxiliar na operação.

Vacinação
A superlotação dos hospitais acontece ao mesmo tempo em que mais de 200 mil ingleses recebem a vacina contra Covid-19 produzida pela Pfizer/BioNTech semanalmente. Um estudo da Faculdade de Higiene e Medicina Tropical de Londres, no entanto, mostrou que o país precisaria aplicar ao menos 2 milhões de doses por semana para controlar o vírus.

De acordo com o trabalho da Faculdade de Higiene e Medicina Tropical de Londres, “o cenário com restrições mais rigorosas por toda a Inglaterra, escolas fechadas em janeiro e 2 milhões de pessoas vacinadas por semana é o único considerado em que vemos uma redução do número de internações em leitos de terapia intensiva inferior à primeira onda”.

A entidade alerta ainda que, na falta de uma campanha de vacinação extensiva, “os casos, internações, internações em terapia intensiva e mortes em 2021 podem exceder os vistos em 2020.”

A vacina desenvolvida pelo laboratório britânico AstraZeneca e pela Universidade de Oxford pode ser a próxima a ser aprovada no Reino Unido. A expectativa é que a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos para a Saúde aprove o imunizante e comece a aplicá-lo em 4 de janeiro.

Segundo o diretor geral do NHS na Inglaterra, todos os pacientes vulneráveis estarão vacinados até o fim da primavera no hemisfério norte, que vai de 20 de março a 21 de junho.

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