Regras contra gordura trans avançam no mundo. Brasil está atrasado

Para a entidade, a sustância encontrada em salgadinhos, sorvetes e frituras deve ser banida. País ainda não tem legislação sobre o tema

Divulgação OMSDivulgação OMS

atualizado 04/06/2019 18:22

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 5 bilhões de pessoas no mundo sejam afetadas por gordura trans nas comidas, resultando em pouco mais de meio milhão de mortes por doenças cardiovasculares anualmente. Só no Brasil, são 19 mil mortes. 

A gordura trans é uma substância produzida industrialmente e está presente nos chamados óleos parcialmente hidrogenados. Esse ingrediente é encontrado frequentemente em salgadinhos, alimentos assados, sorvetes e frituras. Os fabricantes costumam usá-la, pois ela permite prolongar a vida útil dos alimentos.

A OMS e seus países-membros têm tomado medidas no mundo todo para restringir e eliminar os alimentos com gordura trans até 2023. No momento, mais de 28 países já conseguiram aprovar ações regulatórias específicas de banimento ou restrição. A Dinamarca foi a primeira nação a eliminar a gordura trans dos alimentos, em 2004. Entre 2008 e 2011, a Suíça, Áustria e Islândia aprovaram leis também. No ano passado, foi a vez dos EUA e do Canadá. De acordo com a OMS, houve uma redução de 10% nos casos de ataques cardíacos na Dinamarca após a adoção da lei. 

Nos países em desenvolvimento, as restrições ao uso de gordura trans têm sido mais lentas. No Brasil, por exemplo, ainda não há uma legislação específica. O que existe é uma regra que obriga a declaração sobre o ingrediente na rotulagem nutricional.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é responsável por conduzir o processo regulatório para restringir o uso de gorduras trans nos alimentos. No momento, a agência está elaborando um relatório técnico das vantagens e desvantagens das diferentes opções regulatórias disponíveis, comparando a realidade brasileira com a de outros países. A intenção é que esse documento seja publicado em julho, para que, até o final do ano, a Anvisa publique uma medida normativa sobre o tema.

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