Quem já teve Covid-19 pode ser contaminado pelas novas variantes?

Mutações que parecem tornar o coronavírus mais eficiente em despistar o sistema imunológico estão sendo estudadas

atualizado 28/01/2021 10:46

coronavírusArte/Metrópoles

Com a flexibilização do distanciamento social e as cenas de aglomeração cada vez mais comuns, estão surgindo novas variantes do coronavírus. Os pesquisadores ainda estão estudando como cada uma delas se comporta, mas uma das perguntas mais urgentes a ser respondida é se pessoas que já tiveram a Covid-19 podem ser reinfectadas pelas novas cepas.

O caso da enfermeira de Manaus reinfectada com a variante que circula na cidade atualmente é um indício de que o contágio é possível.  Mesmo tendo desenvolvido anticorpos depois da primeira infecção, que ocorreu nove meses antes, ela teve Covid-19 novamente.

A mutação E484K, apresentada na variante de Manaus e também na sul-africana, parece tornar o vírus mais eficiente em fugir do sistema imunológico e, por isso, ser capaz de contaminar novamente o paciente. Porém, ainda não se sabe se o caso da enfermeira é comum ou não.

“Ainda não é algo bem definido mas, a princípio, o paciente poderia se reinfectar, sim. O que se sabe até o momento é que essas pessoas, em caso de contato, não desenvolveriam casos agudos nem graves, muitos podem ser até assintomáticos”, explica Manuel Palacios, médico infectologista e mestre em doenças infecciosas e parasitárias do Hospital Anchieta de Brasília.

A principal preocupação de Palacios é que essas pessoas provavelmente são capazes de transmitir o vírus com mais eficiência do que a verificada na versão anterior. Uma vez que podem ter sintomas muito vagos ou até inexistentes, e como não se respeita mais o distanciamento, o contágio ficaria mais acentuado. “Acredita-se que é o que aconteceu no Amazonas“, diz.

“Estudos urgentes são necessários para determinar se a reinfecção com linhagens emergentes que abrigam a mutação é um fenômeno generalizado ou está limitado a alguns casos esporádicos”, escreveu Felipe Naveca, da Fiocruz Amazônia, coordenador do estudo com a amostra da enfermeira, no fórum de discussões Virologist.org.

A infectologista Lívia Vanessa, da Sociedade de Infectologia do DF, lembra que muitas pessoas que tiveram a doença possuem imunidade transitória, que pode durar cerca de seis meses, e ainda não se sabe se essa proteção temporária seria suficiente para combater as novas variantes.

“Por isso, sempre recomendamos que, mesmo depois de contrair a Covid-19, os indivíduos mantenham os cuidados e as medidas de segurança, pois ainda podem ser transmissores do vírus por outros meios, como mãos e objetos contaminados, além da possibilidade de reinfecção” ensina.

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