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Saúde

Pressão alta atinge três em cada 10 crianças em escolas brasileiras

Pesquisa em 38 escolas de três estados avaliou 6.092 crianças e adolescentes; o diagnóstico exige confirmação em outras consultas

14/10/2026 11:04, atualizado 14/10/2026 11:06
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Foto colorida de criança passando por exame de coração, com médica encostando um estetoscópio em seu coração - Metrópoles.

Quase três em cada dez crianças e adolescentes avaliados pelo projeto Brasil Coração Saudável apresentaram pressão arterial na faixa de hipertensão durante uma triagem nas escolas. O levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) identificou a alteração em 28,3% dos participantes, enquanto outros 11,6% tiveram pressão acima do normal, classificada como pré-hipertensão.

Os resultados são da primeira fase do programa, que avaliou 6.092 estudantes de 38 escolas de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo, entre três de junho e sete de outubro de 2026.

As medições foram repetidas durante uma única visita à escola. Conforme o material divulgado, o diagnóstico clínico de hipertensão em crianças exige confirmação em outras consultas. 

A maior parte dos participantes estava em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, com 2.973 e 3.059 estudantes, respectivamente. Em São Paulo, foram avaliados 60 alunos. Os números apresentados correspondem às crianças e aos adolescentes examinados nas escolas participantes.

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Pressão alterada foi mais frequente entre os meninos

A pressão na faixa de hipertensão apareceu em 29,8% dos meninos e em 26,9% das meninas. Na comparação por idade, a proporção foi de 30,2% entre os participantes de sete a 10 anos, de 23,6% entre os de 11 a 14 anos e de 34% no grupo de 15 a 18 anos.

O levantamento também identificou uma frequência maior da alteração entre estudantes com excesso de peso. Na análise dos participantes de sete a 18 anos, os resultados foram:

  • Peso adequado: 22,6% apresentaram pressão na faixa de hipertensão.
  • Sobrepeso: a proporção foi de 30,1%.
  • Obesidade: o percentual chegou a 48,4%, quase metade do grupo.

No conjunto dos avaliados, 33,1% tinham excesso de peso, o equivalente a aproximadamente um em cada três estudantes. A parcela reúne 19,5% com sobrepeso e 13,6% com obesidade. A classificação considerou o índice de massa corporal (IMC) de acordo com a idade e o sexo.

Gordura abdominal também acompanha maior frequência

A pressão na faixa de hipertensão também foi mais frequente entre os estudantes com maior acúmulo de gordura abdominal. Entre os participantes de sete a 18 anos cuja cintura ultrapassava a metade da altura, 40,6% apresentaram a alteração, ante 24,4% entre aqueles com a medida dentro do parâmetro adotado.

Outro indicador analisado foi a circunferência abdominal em relação às referências para idade e sexo. No grupo com a medida aumentada, a proporção de pressão na faixa de hipertensão chegou a 46,3%, enquanto foi de 26,3% entre os estudantes com a medida adequada.

Além das avaliações físicas, o programa investigou o estresse percebido pelos participantes. Cerca de um em cada oito relatou estresse intenso ou exagerado em casa, com 12,7%, ou na escola, com 12,5%.

Prevenção começa na escola

O Brasil Coração Saudável busca incentivar hábitos saudáveis desde a infância e ampliar o conhecimento sobre os fatores de risco cardiovascular. A proposta combina avaliações de saúde e atividades educativas, com a participação de profissionais de saúde, educadores e da comunidade escolar.

Segundo a SBC, a iniciativa prevê expansão para novas escolas e regiões do país. A coordenação nacional é da entidade, com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz como centro coordenador, para fortalecer a prevenção das doenças cardiovasculares ao longo da vida.