Estudo analisa como a personalidade influencia a forma de flertar
Pesquisa com quase mil participantes indica que o flerte pode servir tanto para criar conexão quanto para alcançar vantagens sociais
atualizado
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A paquera costuma ser associada a interesse romântico e interação leve, mas um novo estudo sugere que esse comportamento vai além da tentativa de iniciar um relacionamento. A forma como as pessoas flertam e os objetivos por trás dessas interações estão ligados a traços de personalidade e ao contexto social em que o contato acontece.
A pesquisa, publicada na revista Personality and Individual Differences em novembro de 2025 e conduzida por pesquisadores da Universidade do Alabama e da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, analisou respostas de 955 participantes sobre seus hábitos de flerte em diferentes situações do cotidiano.
Para ampliar a confiabilidade dos dados, os cientistas também ouviram quase dois mil “informantes”, entre amigos e conhecidos dos participantes.
A partir desse conjunto de informações, avaliaram com que frequência as pessoas flertam, o quanto se consideram habilidosas e como esse comportamento aparece em contextos como trabalho, encontros românticos, festas e ambientes sociais diversos.
Flerte como estratégia
Os resultados mostram que pessoas com traços de personalidade considerados mais sombrios, como narcisismo, maquiavelismo e psicopatia, tendem a usar a paquera de forma mais instrumental.
Nesses casos, o flerte funciona como um meio para alcançar objetivos práticos, como obter favores, vantagens profissionais ou benefícios imediatos em situações sociais.
Os pesquisadores observaram que o narcisismo apresenta uma nuance particular. Embora esse grupo também utilize a paquera com frequência, nem sempre há um objetivo concreto por trás do comportamento. Em muitos casos, o que parece motivar essas pessoas é o prazer em receber atenção e admiração dos outros.
Em contraste, indivíduos com traços de personalidade mais voltados à empatia, à confiança e ao interesse genuíno pelo outro demonstraram menor tendência a flertar com fins utilitários. Para esse grupo, a interação costuma estar mais ligada à construção de vínculos e à troca emocional do que à obtenção de recompensas.
O estudo também identificou diferenças entre homens e mulheres. De forma geral, as mulheres relataram usar mais o flerte como ferramenta social.
Segundo os autores, isso pode estar relacionado ao fato de elas receberem mais retornos positivos em determinadas situações, ,como convites ou gentilezas em ambientes sociais, além de serem percebidas como mais eficazes nesse tipo de interação.

Ambiente e contexto
Quando o objetivo do flerte é criar conexão emocional, o cenário parece ter um papel mais relevante do que a personalidade. Os pesquisadores notaram que, nesses casos, fatores como clima do ambiente, contexto social e dinâmica do momento influenciam mais o comportamento do que os traços individuais.
A explicação proposta é que, ao buscar proximidade e vínculo, as pessoas tendem a reagir mais ao que o ambiente oferece do que a padrões internos de comportamento.
Festas, encontros informais e situações descontraídas, por exemplo, favorecem abordagens mais espontâneas, independentemente do perfil psicológico.
Para os autores, os achados ajudam a compreender melhor por que as pessoas flertam de maneiras tão diferentes e com intenções variadas. Ao analisar o flerte como um comportamento ligado às diferenças individuais, o estudo sugere que essas interações funcionam não apenas como ferramenta social, mas também como uma forma de expressão da personalidade.
