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Saúde

Perda auditiva diminui atividade cerebral e aumenta risco de demência

A perda auditiva pode diminuir a percepção do mundo ao redor, reduzindo a atividade em certas regiões do cérebro

11/07/2026 02:00
Unsplash
Imagem colorida mostra idoso branco com aparelho auditivo - Metrópoles

Com o passar do tempo, toda sociedade está propensos a ter perda auditiva. A diminuição na capacidade de escutar faz parte de um processo natural do organismo e estima-se que, a partir dos 50 anos, o indivíduo tende a reduzir, em média, 1% da qualidade da audição por ano. No entanto, o problema começa quando o prejuízo é demasiado e passa atingir outras áreas do corpo, como a aptidão cerebral. 

Para funcionar de maneira plena, o cérebro precisa que todos os cinco sentidos (visão, tato, olfato, paladar e audição) estejam na mesma sintonia. A diminuição na capacidade de algum deles pode  provocar prejuízos. A escuta prejudicada, em especial, reduz os estímulos de percepção do mundo ao redor, provocando uma menor atividade em certas regiões cerebrais.

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“A audição é muito importante para estimular o raciocínio e a própria memória auditiva. Perdendo ou prejudicando esses estímulos, o nosso cérebro tem a tendência de reduzir sua neuroplasticidade e capacidade de formar novos neurônios e novas conexões sinápticas entre os neurônios”, explica o neurologista Thiago Taya, do Hospital Brasília Águas Claras.

A relação entre a perda auditiva e o aumento no risco de demência já é um das mais bem estabelecidas por evidências científicas. Segundo especialistas ouvidos pelo Metrópoles,uma escuta prejudicada eleva em cerca de 7% a 8% o risco da condição cerebral. 

Taya afirma que, entre os fatores de risco modificáveis para a demência – isto é, aqueles que podem ser alterados ou prevenidos –, a perda auditiva é um dos mais relevantes.

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“Com a perda auditiva, as áreas de percepção, processamento e integração da audição se tornam menos ativas e informações auditivas serão sempre transferidas em menor quantidade a áreas importantes para a cognição. Assim, o cérebro vai ter menos dados sensoriais para formar memórias e raciocínios, reduzindo a neuroplasticidade”, exemplifica o neurologista.

Quando a perda auditiva deve ser investigada

Como mencionado, a perda auditiva ao longo da vida ocorre e é um processo natural do corpo. Porém, quando acontece com uma intensidade maior, ela é passível de investigação. “Dessa forma, é possível identificar precocemente quem já tem indicação para o uso de aparelho auditivo e iniciar o tratamento o quanto antes”, afirma a otorrinolaringologista Larissa Camargo, do Hospital Santa Lúcia Sul, em Brasília.

De acordo com Larissa, entre os principais sinais de que a perda auditiva está interferindo na rotina do indivíduo, estão:

  • Diminuição de interação com a família;
  • Isolamento;
  • Assistir televisão e/ou escutar vídeos com volume acima do normal;
  • Solicitar com frequência que os outros repitam o que disseram ou sejam mais claros.

“A própria convivência familiar costuma mostrar esses sinais, indicando que o paciente merece uma avaliação especializada. Quanto mais precoce for o diagnóstico da perda auditiva, menor será a chance de desenvolvimento de quadros de demência no futuro”, aponta a otorrinolaringologista.

Tratamento para a condição ainda é um tabu

Mesmo que haja a detecção de perda auditiva, há tratamento para a condição. No entanto, antes de chegar ao ponto de iniciá-lo, ainda há muitos tabus em volta do tema. Como atinge especialmente o público idoso e necessita do uso de aparelhos auditivos, algumas pessoas se sentem constrangidas de usar o dispositivo e evitam a adesão dele.

Por outro lado, a existência de mais modelos minimalistas ajudam a diminuir a rejeição e aumentam o consentimento da utilização dos aparelhos auditivos, uma medida eficaz para redução do risco de demência.

“Tratar a perda auditiva pode reduzir em até 7% os fatores de risco modificáveis para demência. Quando bem indicado, o uso destes aparelhos é crucial para diminuir o risco de demência de maneira relevante”, ressalta o neurologista.