Gordura no fígado pode ser evitada com ingestão de peixe, diz estudo

Nova pesquisa aponta indícios de que o consumo de ômega-3 presente em pescados está associado a um menor risco de esteatose hepática

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Alexander Spatari/Gettyimages
Imagem mostra várias peças de sushi com peixe - Metrópoles
1 de 1 Imagem mostra várias peças de sushi com peixe - Metrópoles - Foto: Alexander Spatari/Gettyimages

Estima-se que a esteatose hepática, conhecida popularmente como gordura no fígado, atinja entre 25% e 30% da população mundial. Diante da crescente prevalência, a ciência busca compreender meios de prevenir esse distúrbio, inclusive investigando potenciais componentes protetores na dieta. Uma nova pesquisa, publicada em outubro no periódico Nutrients, mostra que o consumo de peixes ricos em ômega-3 pode ajudar na redução do risco da doença.

Para chegar à conclusão, cientistas de universidades da Austrália e da Itália avaliaram dados de 1.297 adultos, participantes do estudo Nutrihep, realizado com moradores da região do Mediterrâneo. Além de passarem por diversos exames, como o de ultrassom para avaliar o fígado, os participantes responderam a questionários sobre hábitos, especialmente alimentares. Entre os que consumiam mais sardinha e salmão, observou-se menor acúmulo de gordura no fígado.

Para o nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita, mesmo que não haja dúvida a respeito dos benefícios atrelados ao cardápio que privilegia os pescados, são necessárias mais pesquisas para bater o martelo. Afinal, trata-se de um estudo observacional, ou seja, que não estabelece causa e efeito.

E não dá para isolar apenas um tipo de alimento quando se fala em doença hepática gordurosa não alcoólica, outra designação para o distúrbio. “A prevenção depende do estilo de vida, engloba a alimentação, a prática de atividade física, o controle do peso, e demais fatores”, enfatiza o médico.

Estudos mostram que a obesidade é um dos principais fatores de risco. Isso acontece porque o ganho exagerado de peso favorece alterações no metabolismo e nos níveis de hormônios que contribuem para a deposição de triglicérides, uma molécula gordurosa, nos hepatócitos (as células do fígado).

Não à toa, a esteatose é chamada de doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica. O distúrbio pode evoluir para um processo inflamatório, que é a esteatohepatite, propiciando a formação de cicatrizes e desencadeando a perigosa cirrose.

Anatomia do fígado humano em contexto científico. Ilustração 3D. Metrópoles
A condição de gordura no fígado resulta de vários fatores, como excesso de peso e ingestão elevada de bebidas alcoólicas

Uma gordura benéfica

O ômega-3 é reconhecido pelo seu poder anti-inflamatório, daí por que é bem-vindo para a proteção do fígado e de todo o organismo. Essa substância é um tipo de gordura, ou ácido graxo, e faz parte do grupo dos poli-insaturados.

Entre os tipos de ômegas mais estudados, destacam-se o EPA e o DHA. Enquanto o ácido eicosapentaenóico (EPA) está envolvido com benefícios às artérias, o ácido docosahexaenóico (DHA) favorece o cérebro. Tanto um quanto outro apresentam ação contra inflamações.

Peixes gordurosos — caso dos já mencionados salmão e sardinha, além do atum — contêm ambos. Vale lembrar que peixes também são excelentes fontes de proteína, sais minerais como o fósforo, o zinco e o ferro, assim como vitaminas do complexo B, entre outros nutrientes. “Além de ofertar todas essas substâncias protetoras, a sardinha é um peixe bastante acessível no mercado brasileiro”, destaca Cukier.

Mesmo que ainda sejam necessários mais estudos para validar a proteção ao fígado, o novo trabalho chega para reforçar a recomendação de se incluir mais pescados no dia a dia. Contudo, apesar do tamanho da costa brasileira e da quantidade de rios existentes no país, o consumo por aqui é baixo.

Comer mais peixes e reduzir o consumo de carne vermelha favorece a diminuição da quantidade de gordura saturada no cotidiano. E não faltam evidências científicas de que o excesso de ácidos graxos saturados está envolvido com risco cardiovascular, entre outros prejuízos à saúde.

Outras estratégias

Cuidar da microbiota intestinal é mais uma estratégia validada pela ciência para blindar contra a esteatose hepática. Há evidências de que manter o equilíbrio entre as bactérias que habitam o intestino traz impactos positivos ao fígado. Os grandes aliados são grãos, frutas, legumes e verduras, com o devido espaço para alimentos probióticos, caso de leites fermentados, iogurte natural, kefir e kombucha.

Por outro lado, deve-se evitar bebidas alcoólicas e não extrapolar nas fontes de carboidratos refinados, como biscoitos, salgadinhos e afins. “Um cardápio nos moldes mediterrâneos, que contempla peixes, cereais integrais, frutas, hortaliças, sementes, laticínios magros e azeite de oliva, beneficia o organismo todo”, destaca o nutrólogo.

Também cabe mencionar a importância de incluir a atividade física no cotidiano. Espantar o sedentarismo promove alterações metabólicas positivas, favorece a perda de peso e o aumento na produção de substâncias protetoras. Cada um deve adaptar a prática de exercícios conforme a rotina, escolhendo a modalidade que mais agrada, para assegurar motivação e se manter ativo.

Fonte: Agência Einstein

Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto!

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSaúde

Você quer ficar por dentro das notícias de saúde mais importantes e receber notificações em tempo real?