Saiba quais são os tipos de gordura no fígado e os riscos da esteatose

Acúmulo de gordura no fígado tem diferentes origens e pode evoluir para inflamação, fibrose, cirrose e câncer. Conheça os riscos

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Gordura no Fígado
1 de 1 Gordura no Fígado - Foto: Getty Images

A esteatose hepática é caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado superior a 5% do volume do órgão e que, ao longo do tempo, prejudica o funcionamento do organismo. As origens do quadro e os riscos que ele traz têm despertado cada vez mais interesse da população.

Até poucos anos atrás, acreditava-se que só um tipo de esteatose hepática era verdadeiramente preocupante: o associado ao uso de álcool. Entretanto, descobriu-se que mesmo pessoas abstêmias, se tiverem um regime dietético desregulado e não praticarem atividades físicas, podem desenvolver a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), nomenclatura que foi adotada a partir de 2023. O quadro, conhecido popularmente como gordura no fígado, pode até desencadear o câncer no órgão.

O que causa a gordura no fígado?

De acordo com o cirurgião de fígado e pâncreas Eduardo Ramos, do Instituto de Cirurgia Robótica do Paraná, a maioria dos casos de doenças graves que atingem o fígado ainda está relacionada ao consumo excessivo de álcool, entre elas a cirrose hepática, mas casos associados à obesidade têm se tornado mais frequentes.

“A esteatose, tanto a causada por bebidas alcoólicas como a relacionada à obesidade, pode desencadear uma inflamação chamada esteatohepatite que, com o tempo, pode se tornar cirrose”, explica ele. Segundo ele, mais de 90% das pessoas com consumo excessivo de álcool (mais de 15 doses semanais para homens e oito para mulheres) desenvolverão em algum momento a doença.

A alimentação, porém, também possui um papel-chave, especialmente quando a ingestão de alimentos muito gordurosos e/ou industrializados é associada ao sedentarismo.

“A MASLD tem se tornado uma das principais causas de transplante de fígado entre mulheres na pós-menopausa. O envelhecimento reduz nosso metabolismo e gasto calórico, e sem o devido cuidado podemos colocar em risco a saúde do fígado”, explica a endocrinologista Deborah Beranger, do Rio de Janeiro.

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A condição de gordura no fígado acomete 30% da população mundial
Alterações na função hepática podem provocar distúrbios do sono, como insônia, sonolência diurna e ciclos de descanso irregulares
No início, as manifestações costumam ser inespecíficas, como cansaço, fraqueza, perda de apetite, náuseas, sensação de inchaço abdominal ou desconforto do lado direito do abdome
A esteatose hepática é popularmente conhecida como gordura no fígado
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A esteatose hepática é popularmente conhecida como gordura no fígado

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A condição de gordura no fígado acomete 30% da população mundial
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A condição de gordura no fígado acomete 30% da população mundial

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Alterações na função hepática podem provocar distúrbios do sono, como insônia, sonolência diurna e ciclos de descanso irregulares
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Alterações na função hepática podem provocar distúrbios do sono, como insônia, sonolência diurna e ciclos de descanso irregulares

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No início, as manifestações costumam ser inespecíficas, como cansaço, fraqueza, perda de apetite, náuseas, sensação de inchaço abdominal ou desconforto do lado direito do abdome
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No início, as manifestações costumam ser inespecíficas, como cansaço, fraqueza, perda de apetite, náuseas, sensação de inchaço abdominal ou desconforto do lado direito do abdome

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Quais os riscos de ter esteatose hepática?

O acúmulo de gordura é o primeiro passo de uma série de comprometimentos de saúde em cadeia. Quando há esteatose, o fígado pode se inflamar, e em cerca de 20% dos casos, a condição evolui para esteatohepatite (MASH), uma inflamação crônica do fígado.

A evolução dela é a fibrose, a formação de um tecido cicatricial no órgão que aumenta e muito o risco de desenvolvimento de cirrose e de câncer hepático. Entre pacientes com cirrose, o risco de câncer de fígado ao longo dos anos chega a 5% — mais de mil vezes maior que o da população geral.

O grau da doença indica extensão da gordura: leve (grau 1) acomete até 30% das células hepáticas, moderada (grau 2) atinge entre 30% e 60%, e grave (grau 3) ultrapassa 60%. Quanto maior o acúmulo, mais elevado risco de inflamação, fibrose e cirrose.

Uma das grandes dificuldades em prevenir estes casos é que o comprometimento do fígado é silencioso e não gera sintomas até que o caso já seja considerado grave.

“Quando aparecem, os sintomas podem envolver acúmulo de água na barriga, sangramento digestivo alto, confusão mental, alterações renais, perda de massa muscular e icterícia, quando os olhos e a pele ficam amarelados”, explica Ramos.

População de risco

Pacientes com fatores metabólicos, como diabetes ou obesidade grave, têm mais probabilidade de progressão e de desenvolvimento de quadros graves de comprometimento do órgão, por isso é importante fazer check-ups anuais quando se está em um dos grupos de risco.

Os médicos destacam, porém, que a doença não afeta apenas indivíduos com excesso de peso. Pessoas magras também podem apresentar esteatose hepática. “Nesses casos, é fundamental investigar outras causas, como exposição a solventes, uso prolongado de corticoides, anabolizantes ou remédios oncológicos”, indica a endocrinologista.

E não custa lembrar: todos devemos fazer exercícios e cuidar da alimentação para um bom funcionamento do organismo. Além disso, não existe dose segura de álcool. Mesmo em pequenas quantidades, ele pode agravar a esteatose.

O diagnóstico precoce aliado ao tratamento com as mudanças de hábito de vida pode mudar completamente o quadro de saúde de alguém com gordura no fígado.

“A primeira medida é sempre zerar o consumo de álcool, regular o peso, controlar a diabetes e tratar possíveis doenças associadas. O uso de medicamentos pode ser indicado e, em casos graves, pode ser necessária a cirurgia para remoção da parte do fígado prejudicado”, conclui Ramos.

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