Claudia Meireles

Médico alerta que gordura no fígado pode sobrecarregar o coração

A coluna conversou com um cardiologista para entender o impacto destrutivo da gordura do fígado no coração; entenda!

atualizado

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Fígado e coração
1 de 1 Fígado e coração - Foto: Getty Images

Um levantamento desenvolvido pelo Instituto Datafolha, em parceria com uma empresa de saúde, apontou que a esteatose hepática – conhecida como gordura no fígado – afeta cerca de 30% da população brasileira. Além de comprometer o funcionamento do órgão, o desequilíbrio metabólico provocado pela condição aumenta o risco de problemas cardiovasculares, incluindo hipertensão, infarto e insuficiência cardíaca.

Em entrevista à coluna Claudia Meireles, o cardiologista Rafael Marchetti detalhou como os processos inflamatórios desencadeados pela gordura hepática e abdominal aceleram danos vasculares e impactam a saúde de todo o organismo.

Entenda como a gordura no fígado pode impactar a saúde do coração

Segundo o especialista, a esteatose hepática deve ser encarada como um fator de risco importante para doenças do coração, ainda que não provoque o entupimento das artérias de forma direta.

Especialista explica como a gordura no fígado pode impactar a saúde do coração

“O fígado sobrecarregado de gordura intensifica a inflamação de baixo grau, produzindo substâncias capazes de danificar as paredes das artérias carótidas – vasos fundamentais para a irrigação sanguínea do cérebro. Com o tempo, essas artérias ficam mais espessas e rígidas, aumentando o risco de acidente vascular cerebral, o AVC”, alerta Rafael Marchetti.

Marchetti também destaca que o acúmulo de gordura na região abdominal vai muito além de um incômodo estético. Ele explica que a gordura visceral atua como um tecido ativo, liberando moléculas inflamatórias que degradam progressivamente as artérias do coração e do cérebro.

“Essas substâncias criam um ambiente propício para a formação de placas que podem obstruir os vasos”, afirma. Para o cardiologista, trata-se de uma inflamação crônica e silenciosa que se instala ao longo dos anos. “Quanto mais gordura visceral, maior o risco de infarto e AVC”, reforça.

Hábitos saudáveis e alimentação fazem a diferença para o tratamento

O especialista reforça que o quadro pode ser revertido com mudanças no estilo de vida. No contexto de um processo de emagrecimento saudável, é possível reduzir tanto a gordura visceral quanto a gordura acumulada no fígado. “A reversão dependerá do grau de dedicação às mudanças no dia a dia”, destaca o cardiologista.

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A condição de gordura no fígado afeta em torno de 30% da população brasileira
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A gordura no fígado resulta de vários fatores, como excesso de peso e ingestão elevada de bebidas alcoólicas
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A gordura no fígado resulta de vários fatores, como excesso de peso e ingestão elevada de bebidas alcoólicas

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A condição de gordura no fígado afeta em torno de 30% da população brasileira
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A condição de gordura no fígado afeta em torno de 30% da população brasileira

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A estratégia mais eficaz, segundo Rafael Marchetti, é manter o chamado déficit calórico – quando há aumento do gasto energético diário associado à redução da ingestão de calorias. Ele orienta que atividades simples, como subir escadas, caminhar mais, realizar tarefas domésticas e evitar longos períodos sentado, podem fazer diferença significativa ao longo do tempo.

“A perda de apenas 5% a 10% do peso corporal já é suficiente para reverter a inflamação e melhorar a saúde do coração”, acrescenta.

No caso específico do fígado, o médico ressalta que ajustes na alimentação são decisivos. Uma rotina mais equilibrada, com menor consumo de açúcares, redução do álcool, maior ingestão de vegetais e alimentos integrais e a inclusão de proteínas de alta qualidade – tanto de origem animal, como peixes magros, frango sem pele e ovos; quanto de origem vegetal, como lentilhas, soja e legumes – favorece o processo de recuperação.

As chamadas gorduras boas, presentes no azeite e no abacate, também desempenham papel importante na redução da inflamação hepática. “Com alimentação adequada associada a exercícios regulares, é possível observar resultados significativos em três a seis meses”, garante.
Ilustração colorida de fígado dentro de esqueleto humano - Metrópoles
O processo que provoca a gordura no fígado também aumenta a chance de surgir outras doenças

Para o cardiologista, eliminar a gordura do fígado e reduzir a gordura visceral traz benefícios amplos. “Quando você elimina essa gordura, o coração agradece. A inflamação diminui, os vasos funcionam melhor e até a pressão arterial melhora”, conclui Rafael Marchetti.

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