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Saúde

Partículas de plástico podem passar da mãe para o feto, diz pesquisa

Experiência feita em ratos mostrou que pedaços minúsculos do material podem chegar ao feto via placenta

22/03/2021 18:32, atualizado 22/03/2021 19:02
Pixabay
garrafas de plástico

Uma pesquisa conduzida pela Universidade Rutgers (Estados Unidos) mostrou como minúsculas partículas de plástico podem ser transferidas pela placenta aos fetos em mamíferos vivos.

O estudo foi feito com ratos e descobriu que os microplásticos inalados pela mãe viajam pela placenta e se acumulam nos pulmões, cérebro e coração do feto em desenvolvimento. O trabalho também revelou que as nanopartículas de poliestireno foram capazes de chegar ao feto 90 minutos após terem sido expostas à mãe.

Os cientistas ainda não sabem se as descobertas também se aplicam à gravidez humana, mas os achados são motivo de preocupação, segundo eles.

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De acordo com o trabalho, publicado na revista científica Particle and Fiber Toxicology, os plásticos são feitos de polímeros de cadeia longa que se desprendem e se degradam com o tempo em fragmentos menores conhecidos como microplásticos.

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Os cientistas acreditam que essas fibras, com menos de 5 milímetros, representem um risco para a saúde humana e animal, mas ainda não se sabe a extensão exata destes danos.

Os nanoplásticos, entretanto, são cerca de mil vezes menores do que os microplásticos — e a ciência sabe ainda menos sobre os impactos destes materiais na saúde humana e animal.

Para chegar às conclusões do estudo, os pesquisadores criaram peças esféricas de poliestireno com 20 nanômetros de diâmetro, que foram aspiradas pelos ratos de laboratório. Os nanoplásticos esféricos foram presos a uma etiqueta fluorescente, para que os cientistas pudessem ver o quão longe eles poderiam ir no organismo dos animais.

O estudo expôs os roedores a cerca de 60% da quantidade de partículas que uma mãe humana inala todos os dias. O teste foi realizado no 19º dia de gravidez, um dia antes de a fêmea da espécie dar a luz. No dia seguinte, os pesquisadores analisaram os tecidos da mãe e do feto a partir de exames de imagens ópticas fluorescentes.

A análise revelou que os fetos de mães expostas eram 7% mais leves do que o esperado. A placenta também era 8% mais leve do que as observadas no grupo dos animais de controle (ou seja, que não inalaram os nanoplásticos esféricos). Os exames também detectaram partículas de nanopoliestireno no pulmão, coração e baço da mãe.

As nanopartículas também estavam presentes na placenta da mãe e no fígado, pulmões, coração, rim e cérebro do feto, “sugerindo translocação de nanopartículas de tecido pulmonar para fetal na fase final da gravidez”, escreveram os pesquisadores.

“Nossa teoria é que algo na vasculatura materna muda, então você tem uma redução no fluxo sanguíneo, que por sua vez leva a uma redução na entrega de nutrientes e oxigênio”, afirmou Phoebe Stapleton, professora da a Universidade Rutgers e principal autora do estudo, em entrevista ao The Guardian.

“Agora sabemos que as partículas são capazes de atravessar para o compartimento fetal, mas não sabemos se elas estão alojadas lá ou se o corpo apenas as bloqueia, o que não causaria toxicidade adicional”, pontuou.

Estudos anteriores descobriram que uma pessoa comum come, bebe e inala até 142 pequenos pedaços de plástico por dia, de acordo com uma pesquisa de 2019 conduzida pela Universidade de Victoria. O total é equivalente a 74 mil partículas por ano ou cerca de um cartão de crédito por semana.

Além de interferir fisicamente nos sistemas e tecidos, acredita-se que os plásticos causam danos à saúde por transportar produtos químicos pelo organismo, que podem ser prejudiciais quando em altas doses. Já se sabe, por exemplo, que grandes quantidades de ftalatos e bisfenóis podem alterar níveis hormonais, afetando negativamente a fertilidade humana.