
Paradas de hidratação ganham papel decisivo para a saúde na Copa
Com jogos em temperaturas elevadas, pausas ajudam a preservar desempenho, reduzir riscos e proteger a saúde dos atletas

As paradas para hidratação devem ter papel ainda mais importante durante a Copa do Mundo de 2026. Com partidas previstas para serem disputadas em diferentes regiões dos Estados Unidos, Canadá e México, algumas delas sob temperaturas elevadas e condições de calor intenso, a estratégia deixou de ser apenas uma medida de conforto para se tornar uma ferramenta fundamental de proteção à saúde e ao desempenho dos atletas.
A hidratação adequada influencia diretamente a capacidade física, técnica e cognitiva dos jogadores. Quando a reposição de líquidos não acompanha as perdas provocadas pelo suor, o organismo começa a enfrentar dificuldades para manter funções essenciais, comprometendo desde a resistência até a tomada de decisões em campo.
Hidratação ajuda a manter o rendimento
As pausas durante a partida permitem que os atletas recuperem parte do desgaste acumulado ao longo do jogo e reduzam os efeitos provocados pelo calor. Segundo o médico do esporte André Pedrinelli, da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, a divisão da partida em períodos menores favorece o equilíbrio fisiológico dos jogadores.
“As pausas para hidratação transformam o jogo em blocos mais equilibrados e ajudam o organismo a suportar melhor as exigências físicas impostas pela partida”, afirma.
Além da água, a reposição adequada pode incluir eletrólitos e carboidratos, especialmente em jogos disputados sob altas temperaturas. De acordo com a nutricionista Thays Pomini, que atende em São Paulo, o suor provoca a perda de minerais importantes para o funcionamento do organismo.
O sódio é o principal deles e exerce papel fundamental na manutenção do volume de líquidos circulando no sangue. Já potássio e magnésio participam da contração muscular e da função neuromuscular, tornando a reposição ainda mais importante em partidas longas e desgastantes.
Desidratação aumenta riscos dentro de campo
A perda excessiva de líquidos pode provocar impactos significativos no rendimento esportivo. Estudos mostram que uma redução de apenas 2% do peso corporal por desidratação já é suficiente para prejudicar a performance física.
Segundo Pedrinelli, os principais riscos estão relacionados à queda de desempenho e ao aumento da sobrecarga térmica sobre o organismo. Com menos líquidos disponíveis, o corpo encontra mais dificuldade para controlar a temperatura interna.
Entre os sinais de alerta estão perda de concentração, fadiga precoce, redução da capacidade física e dificuldades técnicas durante a partida. A desidratação também pode aumentar o risco de lesões associadas ao calor e comprometer a recuperação para os jogos seguintes.
“A queda de rendimento causada pela desidratação não afeta apenas o aspecto físico; ela interfere também na execução técnica e na capacidade de tomar decisões rápidas”, explica o especialista.
Calor pode exigir estratégias especiais na Copa
As necessidades de hidratação mudam significativamente em dias mais quentes. Em condições de temperatura elevada e alta umidade, atletas podem perder mais de um litro de suor por hora, tornando a reposição de líquidos ainda mais urgente.
Nesses cenários, as pausas para hidratação ganham importância estratégica para evitar quadros mais graves, como tontura, câimbras, confusão mental e exaustão pelo calor. A recomendação dos especialistas é que a preparação comece antes mesmo da partida, com um planejamento individualizado de ingestão de líquidos.
“A hidratação eficiente começa antes do apito inicial e continua após o jogo. Esperar sentir sede já significa que o organismo iniciou um processo de desidratação”, destaca Thays.
Com a previsão de jogos em diferentes condições climáticas durante a Copa do Mundo de 2026, as pausas para hidratação devem continuar sendo uma das principais ferramentas para preservar a saúde dos atletas e garantir que o desempenho em campo não seja comprometido pelo calor.

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