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Saúde

Nutris alertam: alimentos com pouca caloria nem sempre são saudáveis

Produtos com poucas calorias nem sempre são os mais saudáveis e podem esconder ingredientes e baixo valor nutricional na composição

23/08/2026 02:00
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Plano médio de uma mulher lendo um rótulo analisando calorias do alimento. Metrópoles

Trocar o refrigerante comum por versões “zero” virou um hábito frequente. A lógica parece simples: reduzir calorias para melhorar a alimentação. Esse comportamento, no entanto, não se limita às bebidas e se estende a uma série de produtos industrializados com dizem ser mais leves. O problema é que esse tipo de escolha, baseada apenas no valor calórico, pode levar a uma falsa sensação de que o alimento é mais saudável.

Na prática, as calorias indicam apenas a quantidade de energia, sem refletir a qualidade nutricional. Por isso, dois produtos com valores semelhantes podem ter efeitos bastante diferentes no organismo. A nutricionista Caroline Romeiro, gerente técnica de nutrição do Conselho Federal de Nutrição (CFN), explica que a avaliação precisa ir além do número na tabela.

“O valor calórico informa a quantidade de energia, mas não revela, isoladamente, a qualidade nutricional. Dois alimentos podem ter calorias semelhantes e efeitos muito diferentes no organismo”, afirma.

Ela cita como exemplo alimentos naturalmente mais calóricos, como castanhas e abacate, que oferecem nutrientes importantes. Em contrapartida, produtos com poucas ou nenhuma caloria podem ter baixo valor nutricional.

“Uma bebida ‘zero’ pode conter adoçantes, corantes, aromatizantes e conservantes usados para manter sabor e aparência, sem necessariamente contribuir para a qualidade da alimentação”, diz.

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Produtos com menos calorias podem ser ultraprocessados

Parte dos alimentos com apelo de baixa caloria pertence ao grupo dos ultraprocessados. Para manter características como sabor e textura, a indústria recorre a diferentes aditivos.

“Retirar calorias não significa, necessariamente, melhorar a qualidade do alimento. Muitas vezes, um componente é reduzido e outros são adicionados para preservar o produto”, explica Caroline.

Isso não significa que todo aditivo seja prejudicial de forma isolada, mas o consumo frequente de produtos com formulações extensas deve ser observado. Segundo a especialista, listas longas de ingredientes, com termos pouco comuns na cozinha, são um sinal de alerta.

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A nutricionista Giovanna Barreiro, do Hospital Brasília, reforça que o problema está no conjunto da composição. “Um produto pode ter menos calorias e, ainda assim, ser pouco interessante nutricionalmente”, afirma.

Saciedade depende da composição do alimento

Outro ponto importante é o efeito desses alimentos sobre a saciedade. Nem sempre um produto com poucas calorias consegue manter a sensação de saciedade por muito tempo. Segundo a nutricionista Cynara Oliveira, supervisora de nutrição do Hospital Santa Lúcia, isso depende da composição do alimento.

“Fibras, proteínas e o volume do alimento influenciam na saciedade. Um produto pobre nesses nutrientes pode fazer a pessoa sentir fome novamente pouco tempo depois”, explica.

Nesse cenário, o consumo pode acabar sendo maior ao longo do dia. A pessoa ingere menos calorias em uma única escolha, mas compensa comendo mais vezes.

Como avaliar além das calorias

Para fazer escolhas mais equilibradas, as nutricionistas recomendam olhar com atenção para o rótulo e não apenas para as alegações da embalagem.

“A primeira orientação é não se limitar a termos como ‘zero’, ‘light’ ou ‘baixo em calorias’. É preciso analisar a lista de ingredientes e a composição nutricional”, orienta Caroline.

Entre os pontos que merecem atenção estão:

  • Ordem dos ingredientes;
  • Presença de açúcares adicionados;
  • Sódio;
  • Gorduras;
  • Quantidade de fibras e proteínas;
  • Produtos com listas extensas e muitos aditivos.

Outro cuidado é observar os valores por 100 gramas ou mililitros, que permitem comparar melhor os produtos, além do número de porções na embalagem.