Alimentos industrializados veganos exigem atenção redobrada. Entenda

Rótulo vegano não garante saúde: entenda riscos dos ultraprocessados vegetais e como fazer escolhas mais equilibradas no dia a dia

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Hambúguer, molhos e batata frita- Metrópoles
1 de 1 Hambúguer, molhos e batata frita- Metrópoles - Foto: Freepik

O crescimento do consumo de produtos à base de plantas tem impulsionado a presença de itens veganos e vegetarianos nas prateleiras. No entanto, a popularização desses alimentos causa um equívoco comum: acreditar que tudo o que é vegano é automaticamente saudável. Especialistas alertam que muitos desses produtos fazem parte da categoria dos ultraprocessados vegetais, o que exige olhar mais crítico por parte do consumidor.

De acordo com a nutricionista Taynara Abreu, do Hospital Mantevida, em Brasília, o fato de um alimento não conter ingredientes de origem animal não significa que ele seja benéfico. “Muitos produtos veganos passam por diversos processos industriais e recebem aditivos para melhorar sabor, textura e durabilidade”, explica.

Entre os exemplos mais comuns estão hambúrgueres vegetais, proteínas isoladas e queijos veganos. Apesar da praticidade, esses alimentos podem apresentar altos níveis de sódio, gorduras saturadas e aditivos químicos.

A nutricionista Fernanda Coimbra, da Tivolly, em Brasília, reforça que o rótulo pode enganar. “É muito comum vermos produtos veganos com perfil nutricional pior do que alimentos simples e naturais. O rótulo vegano apenas indica ausência de ingredientes de origem animal, não qualidade nutricional”, afirma.

Ultraprocessados vegetais: o que observar no rótulo

Um dos principais pontos de atenção está na lista de ingredientes. Segundo as especialistas, quanto mais extensa e artificial ela for, maior a chance de o produto ser um ultraprocessado.

Entre os itens mais comuns estão óleos refinados, como gordura de palma e óleo de coco, utilizados para dar textura e sabor. Apesar de funcionais, são fontes de gordura saturada, que, em excesso, pode impactar negativamente a saúde cardiovascular.

Outro fator crítico é o excesso de sódio, frequentemente presente nesses produtos para conservação e realce de sabor, podendo contribuir para o aumento da pressão arterial.

Aditivos como corantes, aromatizantes e estabilizantes também merecem atenção. “Quanto mais distante o alimento estiver de sua forma natural, menor tende a ser sua qualidade nutricional”, alerta Fernanda.

Proteína e fibras: nem sempre equivalentes

Embora alguns hambúrgueres vegetais apresentem teor proteico semelhante ao da carne, a qualidade da proteína pode ser inferior. Isso porque, muitas vezes, ela é proveniente de isolados de soja ou ervilha, que não oferecem o mesmo conjunto de nutrientes presentes em alimentos in natura, como feijão e grão-de-bico.

Além disso, os ultraprocessados vegetais costumam ter baixo teor de fibras ou utilizam fibras isoladas, que não promovem o mesmo efeito de saciedade, levando ao aumento da fome ao longo do dia e favorecendo picos glicêmicos.

Os queijos veganos ilustram bem essa questão. Muitos são produzidos à base de amidos e gordura de coco, resultando em baixo teor de proteínas e alto teor de gordura saturada.

Apesar de não conterem colesterol, o consumo frequente pode impactar negativamente o perfil lipídico, especialmente em pessoas com predisposição a alterações cardiovasculares.

Equilíbrio é mais importante que o rótulo

Para quem busca praticidade, os especialistas recomendam moderação. Os ultraprocessados vegetais podem fazer parte da rotina de forma pontual, mas não devem ser a base da alimentação.

A orientação é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como leguminosas, cereais integrais, frutas, verduras e oleaginosas, que oferecem maior densidade nutricional.

Mais do que seguir um padrão alimentar específico, o desafio está em construir um prato equilibrado, rico em nutrientes e alinhado às necessidades do corpo. No fim das contas, não é o selo “vegano” ou “vegetariano” que define a qualidade da alimentação, mas sim o nível de processamento e a composição dos alimentos.

Em um mercado cada vez mais voltado à conveniência, a decisão mais saudável ainda exige atenção: menos foco no marketing e mais olhar crítico sobre o que realmente chega ao prato.

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