Mulher descobre câncer na cirurgia para trocar silicone: “Foi um choque”
Quiteria Niksic, de 57 anos, foi diagnosticada com câncer de mama em estágio inicial após realizar cirurgia para troca de prótese de mama

A descoberta inesperada de um câncer mamário durante uma cirurgia para troca de silicone mudou a vida da assessora do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) Quiteria Niksic, de 57 anos. Casada e sem filhos, ela sempre fazia o autoexame e acompanhamento periódico – o último foi feito seis meses antes da confirmação da doença, no início de 2025.
Os exames prévios da cirurgia de retirada do silicone — mamografia, ultrassonografia e exames de sangue — não apontaram a doença. Porém, durante o procedimento, os médicos encontraram e retiraram uma lesão suspeita. Após a biópsia, veio a confirmação de um câncer de mama em estágio inicial.
“Foi um choque, porque eu não estava procurando um diagnóstico de câncer. Eu estava realizando uma cirurgia por outra razão e, de repente, me vi diante de uma realidade completamente diferente”, desabafa.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a doença é a mais frequente entre as mulheres no Brasil (com exceção do de pele não melanoma), registrando uma taxa de incidência de 66,54 novos casos a cada 100 mil mulheres.

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Ver todasMudança da rotina
Quiteria mantinha uma rotina ativa: gostava de treinar, cuidar da saúde física e mental, trabalhar e estar com os amigos. Ela conta que, depois do diagnóstico, passou a ter outras preocupações, como consultas, exames complementares, investigações e decisões sobre o tratamento.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência“Depois do diagnóstico, a história não termina. Começa uma nova etapa. É preciso entender o que aconteceu, avaliar os riscos e aceitar que, por algum tempo, a sua vida vai girar em torno da doença”, conta.

Impacto físico e emocional
Após o diagnóstico de câncer, Quiteria sentiu medo, ansiedade e insegurança, buscando apoio no marido, na família e nos amigos para lidar com a situação. Os efeitos do tratamento afetaram sua qualidade de vida, ânimo, disposição e convívio social, o que reforçou para ela a importância de cuidar da saúde mental durante esse período.
“Ter pessoas por perto que me escutavam, me acolhiam e me ajudavam a tomar decisões fez muita diferença. A gente vive fazendo planos, organizando a rotina, trabalhando, cuidando da família e acreditando que tem algum controle sobre o que vai acontecer”, comenta.
A psiquiatra Elaine Bida reforça que a rede de apoio exerce um papel fundamental no enfrentamento do câncer de mama. “O carinho do marido, da família e dos amigos pode proporcionar segurança emocional, diminuir a sensação de solidão e ajudar a paciente a atravessar os momentos mais difíceis”, ressalta.
Elaine reforça que não é preciso manter um otimismo permanente, pois existe uma pressão social para que a mulher com câncer seja sempre forte, corajosa e inspiradora — como se demonstrar fragilidade significasse fraqueza no enfrentamento da doença.
“Sentir medo, tristeza, raiva ou desânimo não significa fraqueza. Significa ser humana, faz parte do processo”, acrescenta.
Desafios do tratamento
A radioterapia foi uma das fases mais marcantes para Quiteria, que enfrentou o medo e o impacto emocional da incerteza durante as sessões. Ao conviver com outros pacientes, ela reforçou a importância de olhar além dos exames e tratamentos para acolher a pessoa por trás do diagnóstico.
A incerteza sobre as reações do corpo ao equipamento e aos medicamentos hormonais trouxe desafios físicos significativos, incluindo tonturas, insônia, fogachos e alterações nas enzimas hepáticas. Diante desses efeitos colaterais, foi necessário suspender a medicação com orientação médica e readequar a rotina.
“Foi um processo que exigiu muito de mim, tanto física quanto emocionalmente. Você precisa confiar nos profissionais, seguir as orientações e atravessar uma etapa de cada vez”, destaca.
Próximos passos
Atualmente, Quiteria segue com acompanhamento médico, realiza exames periódicos e segue todas as orientações indicadas pelos médicos. Ela descobriu a doença em estágio inicial, o que tem influência positiva no tratamento e nas chances de cura.
“Aprendi a viver um dia de cada vez, confiando em Deus. Aprendi que os momentos felizes passam, os momentos difíceis também passam, e que precisamos encontrar maneiras de atravessar ambos sem perder de vista aquilo que nos sustenta”, conclui.
