O número de mulheres que desconhecem a prevenção de câncer de mama cresceu de 25% para 29% desde 2024, aponta pesquisa realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center e pela empresa Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados divulgada nesta sexta (2/10). Foram ouvidas 1.038 mulheres em uma amostra total de 2.015 pessoas.
Entre os principais fatores que contribuem para essa desinformação estão a renda familiar e o acesso à rede pública e privada.
Baseado em uma pesquisa semelhante realizada em 2024, o levantamento de 2026 mostra que o grupo que declara conhecer os métodos preventivos se manteve praticamente igual, em 58% contra 59% da edição anterior.
O que mudou da edição de 2024 para este ano foi que as mulheres que deram respostas intermediárias na época recuaram de 16% para 11%, apontando que a dúvida se tornou desconhecimento assumido.
Outro ponto da pesquisa que chamou atenção foi que 80% das mulheres que dizem saber quais são os métodos preventivos da doença já realizam o autoexame, já entre as que não sabem, a porcentagem cai para os 30%. No exame de mamografia os números percentuais são parecidos, 65% contra 35%.
Em relação às mulheres que nunca fizeram nenhum dos dois exames, as que conhecem os métodos representam apenas 12% contra 55% das que não conhecem.
“A prevenção do câncer de mama se dá por hábitos de vida, como manter o peso adequado, praticar atividade física e evitar álcool e tabaco. Já o diagnóstico precoce depende do autoconhecimento do corpo e da mamografia de rotina a partir dos 40 anos, e é ele que muda o desfecho do tratamento”, afirma Fabiana Makdissi, líder do Centro de Referência em Tumores da Mama do A.C.Camargo Cancer Center.
De acordo com levantamento de 2025, a taxa de sobrevida global de cinco anos de mulheres diagnosticadas em estádio I chega a 96%.
Como se prevenir contra o câncer de mama
Faça mamografia de rotina a partir dos 40 anos.
Tenha uma alimentação equilibrada e nutritiva.
Faça exercícios físicos.
Controle a quantidade de gordura corporal.
Não fume e evite o álcool.
Faça o autoexame.
A amamentação é uma prática protetora.
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Câncer de mama é uma doença caracterizada pela multiplicação desordenada de células da mama causando tumor. Apesar de acometer, principalmente, mulheres, a enfermidade também pode ser diagnosticada em homens
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Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), há vários tipos de câncer de mama. Alguns têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem lentamente. A maioria dos casos, quando tratados cedo, apresentam bom prognóstico
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Não há uma causa específica para a doença. Contudo, fatores ambientais, genéticos, hormonais e comportamentais podem aumentar o risco de desenvolvimento da enfermidade. Além disso, o risco aumenta com a idade, sendo comum em pessoas com mais de 50 anos
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Apesar de haver chances reais de cura se diagnosticado precocemente, o câncer de mama é desafiador. Muitas vezes, leva a força, os cabelos, os seios, a autoestima e, em alguns casos, a vida. Segundo o Inca, a enfermidade é responsável pelo maior número de óbitos por câncer na população feminina brasileira
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Os principais sinais da doença são o aparecimento de caroços ou nódulos endurecidos e geralmente indolores. Além desses, alteração na característica da pele ou do bico dos seios, saída espontânea de líquido de um dos mamilos, nódulos no pescoço ou na região das axilas e pele da mama vermelha ou parecida com casca de laranja são outros sintomas
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O famoso autoexame é extremamente importante na identificação precoce da doença. No entanto, para fazê-lo corretamente é importante realizar a avaliação em três momentos diferentes: em frente ao espelho, em pé e deitada
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Faça o autoexame. Em frente ao espelho, tire toda a roupa e observe os seios com os braços caídos. Em seguida, levante os braços e verifique as mamas. Por fim, coloque as mãos apoiadas na bacia, fazendo pressão para observar se existe alguma alteração na superfície dos seios
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A palpação de pé deve ser feita durante o banho com o corpo molhado e as mãos ensaboadas. Para isso, levante o braço esquerdo, colocando a mão atrás da cabeça. Em seguida, apalpe cuidadosamente a mama esquerda com a mão direita. Repita os passos no seio direito
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A palpação deve ser feita com os dedos da mão juntos e esticados, em movimentos circulares em toda a mama e de cima para baixo. Depois da palpação, deve-se também pressionar os mamilos suavemente para observar se existe a saída de qualquer líquido
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Por fim, deitada, coloque a mão esquerda na nuca. Em seguida, com a mão direita, apalpe o seio esquerdo verificando toda a região. Esses passos devem ser repetidos no seio direito para terminar a avaliação das duas mamas
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Mulheres após os 20 anos que tenham casos de câncer na família ou com mais de 40 anos sem casos de câncer na família devem realizar o autoexame da mama para prevenir e diagnosticar precocemente a doença
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O autoexame também pode ser feito por homens, que apesar da atipicidade, podem sofrer com esse tipo de câncer, apresentando sintomas semelhantes
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De acordo com especialistas, diante da suspeita da doença, é importante procurar um médico para dar início a exames oficiais, como a mamografia e análises laboratoriais, capazes de apontar a presença da enfermidade
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É importante saber que a presença de pequenos nódulos na mama não indica, necessariamente, que um câncer está se desenvolvendo. No entanto, se esse nódulo for aumentando ao longo do tempo ou se causar outros sintomas, pode indicar malignidade e, por isso, deve ser investigado por um médico
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O tratamento do câncer de mama dependerá da extensão da doença e das características do tumor. Contudo, pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica
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Os resultados, porém, são melhores quando a doença é diagnosticada no início. No caso de ter se espalhado para outros órgãos (metástases), o tratamento buscará prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida do paciente
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Renda e acesso a rede pública ou privada também influenciam
Entre os principais fatores que podem influenciar no conhecimento de métodos preventivos estão a renda familiar, na qual o autoexame vai de 51% entre mulheres com renda de até um salário mínimo a 88% entre as com renda acima de cinco salários.
O conhecimento dos métodos preventivos segue números parecidos: 49% a 79%, trazendo 37 pontos percentuais de diferença na prática e 30 pontos na informação. A diferença entre atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede privada também tem interferência.
Segundo o levantamento, entre as mulheres que usam o SUS, 56% dizem conhecer as formas de prevenção do câncer de mama contra 69% da rede privada. A diferença mostra que as barreiras de acesso à rede de diagnóstico impactam, pois a informação geralmente chega pelos mesmos canais que oferecem o exame.
“Informação é o que separa a mulher que se cuida da que não se cuida. Entre as que dizem conhecer as formas de prevenção, 80% já fizeram o autoexame. Entre as que não conhecem, 30%. E essa diferença não está distribuída por igual, ela é maior onde a renda é menor e onde o acesso à rede de diagnóstico é mais difícil”, analisa Fabiana.
A médica finaliza que a prevenção e o diagnóstico precoce são necessidades diferentes e igualmente importantes, somado a hábitos de vida saudável e a exames de mamografia a partir dos 40 anos.