“Muito fácil falar que a culpa é da variante”, diz OMS sobre caos em Manaus

Entidade diz que casos estão crescendo na cidade desde o meio de dezembro, e que governo e população precisam reconhecer responsabilidade

atualizado 15/01/2021 16:30

Fotos Hugo Barreto/Metrópoles

Em entrevista coletiva na tarde desta sexta (15/1), o diretor de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan, informou que a entidade está acompanhando de perto a situação de Manaus e que a alta nos casos de Covid-19 foi notificada no meio de dezembro.

“A situação no Amazonas se deteriorou significativamente. É um problema em várias áreas do Brasil, e os encontros no fim do ano podem ter a ver com o aumento nos casos. Claramente, se esse quadro continuar, o estado verá uma onda ainda pior do que a catastrófica que vimos em abril de 2020. É uma tragédia em si mesma”, afirma o diretor. Ryan comparou a situação à de Nova York e do norte da Itália, no auge da primeira onda no Hemisfério Norte.

Ele explica que a OMS observa um aumento exponencial de casos na América do Sul, provavelmente devido à negligência da população em relação às medidas de distanciamento social. Neste momento, o diretor diz que, além de profissionais de saúde, pessoas que fazem parte da equipe de vigilância e técnicos de laboratório também estão se infectando, criando uma implosão do sistema de saúde, que já vinha fragilizado da primeira onda.

“E não é a nova variante que está causando a situação. Pode ter algum impacto, mas é muito fácil dizer que a culpa é da variante. Infelizmente, o problema é o que não fizemos. Temos que aceitar nossa parte da responsabilidade sobre o vírus ter saído de controle. Precisamos ser mais eficientes em combatê-lo. Nossa solidariedade está com o povo e o governo do Brasil e, como organização, faremos tudo para ajudar nossos membros”, explica.

O diretor diz que, não só no Brasil, mas em todo o mundo, as pessoas estão reduzindo o distanciamento social e negligenciando as medidas de proteção. “O vírus está explorando a nossa fadiga, a quebra dos protocolos. A vacina é uma luz no fim do túnel, mas precisamos continuar com as medidas. Precisamos ser honestos: podíamos estar fazendo mais. Sabemos mais do que antes, temos as ferramentas, mas precisamos continuar”, aponta Ryan.

O representante da OMS espera que a sociedade reforce medidas para evitar a propagação do vírus e destacou, ainda, a necessidade de que os governos apoiem e garantam que a população tenha o que é preciso para se isolar. “Ninguém está fazendo o suficiente“, diz.

Mariângela Simão, vice-diretora-geral da agência de saúde, ressaltou que a situação de Manaus é um alerta para outros países. Ela cita um “falso senso de segurança” que levou a população e o governo a baixarem a guarda. “Se a sua cidade aumentou a capacidade dos hospitais para lidar com a primeira onda, não volte atrás. A pandemia não acabou ainda. Podemos prevenir mais danos”, pede.

A infectologista Maria Van Kerkhove, responsável pela resposta da entidade à pandemia, afirma que está trabalhando com equipes de cientistas e profissionais de saúde brasileiros para entender melhor a nova variante.

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