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Menopausa e memória: entenda por que a fase altera funções cerebrais

Queda hormonal durante a menopausa pode levar a falhas na memória, dificuldade de concentração e mudanças no raciocínio das mulheres

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Foto colorida de senhora na menopausa indo à ginecologista - Menopausa e memória: entenda por que a fase alteram funções cerebrais - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de senhora na menopausa indo à ginecologista - Menopausa e memória: entenda por que a fase alteram funções cerebrais - Metrópoles - Foto: Getty Images

A menopausa é marcada por várias mudanças no organismo feminino, especialmente na produção de estrogênio e progesterona. Além de regular o ciclo menstrual, os hormônios também desempenham papel importante no cérebro, contribuindo para a manutenção da memória, da atenção e do equilíbrio emocional.

Por isso, quando os níveis diminuem, é comum que mulheres percebam falhas de memória, confusão em tarefas cotidianas e dificuldade para se concentrar. Essas alterações cognitivas, muitas vezes chamadas de “névoa cerebral”, podem gerar preocupação, mas na maioria dos casos representam uma fase natural de adaptação do corpo à nova realidade hormonal.

Por que a menopausa altera a memória

A queda de estrogênio e progesterona durante a menopausa não afeta apenas o ciclo menstrual. Esses hormônios também participam de processos fundamentais no cérebro: ajudam na comunicação entre os neurônios, protegem as células cerebrais e regulam substâncias que influenciam o sono, o humor e a atenção.

“A menopausa muda a forma como o cérebro processa informações, tornando mais comum esquecer detalhes do dia a dia ou se sentir com a atenção dispersa”, explica a médica Polyana Mattedi, coordenadora de ginecologia e obstetrícia do Hospital Mater Dei em Goiânia.

Com a redução dos hormônios, o cérebro pode ter mais dificuldade para consolidar informações, o que se traduz em lapsos de memória e dificuldade de concentração. Por isso, a alteração hormonal nessas áreas explica a chamada “névoa cerebral” — sensação de confusão mental e lentidão cognitiva relatada por muitas mulheres durante a transição para a menopausa.

Além disso, algumas regiões são especialmente sensíveis a essas variações, como o hipocampo, responsável pela formação de novas memórias; o córtex pré-frontal, que coordena raciocínio e tomada de decisões; e estruturas como a amígdala e o hipotálamo, que regulam emoções e funções corporais como temperatura e apetite.

Fases e intensidade dos sintomas da menopausa

Os efeitos da menopausa sobre a cognição costumam ser mais intensos durante a perimenopausa, período de transição que antecede o fim definitivo do ciclo menstrual. A irregularidade hormonal nessa fase pode alterar o funcionamento cerebral de forma mais acentuada. Com o tempo, o corpo se ajusta, e os sintomas tendem a diminuir.

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Média de idade da mulher entrar na menopausa no  
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O fogacho é um dos principais sintomas da menopausa
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A menopausa é caracterizada pelo desequilíbrio hormonal no organismo das mulheres
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A menopausa traz diversos impactos na vida da mulher
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Sono, estresse e estilo de vida na menopausa

A memória depende de um sono reparador. Distúrbios do sono, estresse elevado, ansiedade e depressão reduzem a capacidade de concentração e favorecem esquecimentos. Além disso, fatores metabólicos, como obesidade, diabetes, hipertensão e colesterol alto, podem prejudicar a circulação cerebral e aumentar inflamações que afetam o cérebro. Manter hábitos saudáveis é fundamental para preservar a cognição.

Menopausa e doenças neurodegenerativas

Embora a maioria das mulheres experimente apenas esquecimentos leves, há evidências de que a menopausa pode favorecer alterações cerebrais que aumentam o risco de doenças neurodegenerativas. A diminuição do estrogênio reduz a proteção neuronal e, em combinação com outros fatores de risco, pode acelerar o declínio cognitivo em longo prazo.

“Existem evidências científicas de que a menopausa pode contribuir para o surgimento de doenças como o Alzheimer, o que ajuda a explicar por que os casos são mais comuns em mulheres”, observa Thiago Taya, neurologista e neuroimunologista do Hospital Brasília Águas Claras, da Rede Américas.

Ainda segundo o especialista, a queda acentuada do estrogênio após a menopausa retira do cérebro um importante efeito protetor. Essa mudança pode facilitar a perda de neurônios e aumentar a deposição de proteínas associadas ao Alzheimer, especialmente em pessoas com predisposição genética.

Quando buscar avaliação médica

Esquecimentos comuns, como onde deixou objetos ou confundir pequenos detalhes, geralmente são passageiros e não indicam doenças graves. No entanto, lapsos frequentes e mais significativos, como desorientação em locais conhecidos, dificuldade para se expressar ou repetição constante de perguntas, exigem investigação médica. Avaliações precoces ajudam a descartar condições neurológicas mais sérias e a adotar estratégias de prevenção.

Estratégias para preservar a memória

Além do acompanhamento médico, mudanças de estilo de vida podem proteger a cognição. Atividade física regular, alimentação equilibrada, estímulos mentais e sociais, e controle de fatores de risco cardiovascular contribuem para a saúde cerebral. A reposição hormonal, quando indicada, melhora o bem-estar, sono e humor. Um acompanhamento multidisciplinar também potencializa esses benefícios.

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