Médico do esporte explica que correr não envelhece a aparência da pele
Especialistas explicam por que a corrida está ligada à longevidade e não ao envelhecimento precoce

A ideia de que a corrida envelhece o corpo ou deixa as pessoas com aparência mais velha é comum entre praticantes e até quem nunca colocou os pés em uma pista. A associação costuma surgir ao observar corredores de longa data com rostos mais magros ou marcados pelo tempo. Mas, será que a corrida realmente acelera o envelhecimento?
A resposta da ciência é não. Estudos mostram que a prática regular de atividade física está associada à melhor saúde cardiovascular, metabólica e funcional, fatores diretamente relacionados ao envelhecimento saudável. Especialistas explicam que a percepção de envelhecimento em corredores geralmente está ligada à aparência da pele e à composição corporal, e não ao funcionamento do organismo.
Correr está associado à longevidade
De acordo com o médico do esporte Anderson Clayton Sant’Anna, da plataforma de consultas médicas INKI, a corrida está entre as atividades físicas mais estudadas quando o assunto é aumento da expectativa de vida e prevenção de doenças crônicas.
A prática regular ajuda a reduzir inflamações, melhora a sensibilidade à insulina e favorece a saúde cardiovascular, fatores que contribuem para um envelhecimento mais saudável.
“Mais importante do que viver mais é conseguir chegar aos anos avançados mantendo autonomia e capacidade funcional”, afirma o especialista.
O educador físico Mateus Medeiros Leite, da Universidade Católica de Brasília (UCB), destaca que a corrida ajuda a construir reservas fisiológicas importantes ao longo da vida. Essas reservas envolvem capacidades cardiorrespiratórias, musculares e cognitivas que permitem ao organismo lidar melhor com as perdas naturais do envelhecimento.
Segundo ele, pesquisas apontam que corredores apresentam menor risco de mortalidade por todas as causas e por doenças cardiovasculares quando comparados a pessoas sedentárias.
Por que alguns corredores parecem mais envelhecidos?
A aparência de envelhecimento observada em alguns corredores costuma ter explicações diferentes do envelhecimento biológico. Um dos principais fatores é a exposição frequente ao sol durante os treinos ao ar livre.
Sem proteção adequada, a radiação ultravioleta favorece o fotoenvelhecimento, processo responsável pelo surgimento de rugas, manchas e perda de elasticidade da pele. O impacto causado pelo movimento da corrida também não é capaz de degradar o colágeno da pele e torná-la flácida.
Além disso, corredores com baixo percentual de gordura corporal podem apresentar rostos mais magros, com contornos ósseos mais evidentes.
Leite explica que aparência e envelhecimento biológico são conceitos distintos. “Muitas vezes, o que é interpretado como envelhecimento é apenas o resultado de menor gordura corporal e maior exposição solar, enquanto os indicadores de saúde mostram exatamente o oposto”, ressalta.
Outro aspecto apontado pelos especialistas é que uma rotina baseada exclusivamente em exercícios aeróbicos, sem treinamento de força, pode dificultar a manutenção da massa muscular. Isso pode influenciar tanto a estética corporal quanto a aparência facial.
Cuidados para envelhecer bem correndo
Embora a corrida ofereça benefícios importantes para a saúde, alguns cuidados ajudam a potencializar os resultados e reduzir riscos. O uso de protetor solar, bonés, viseiras, óculos escuros e roupas com proteção UV é fundamental para proteger a pele dos efeitos da exposição solar prolongada.
Também é importante respeitar períodos de recuperação, manter uma alimentação adequada, hidratar-se corretamente e garantir boas noites de sono. A associação da corrida com exercícios de fortalecimento muscular é outro ponto frequentemente recomendado pelos especialistas.
Sant’Anna destaca que a combinação entre corrida e musculação contribui para preservar a massa muscular, melhorar a composição corporal e reduzir o risco de lesões. Já Leite reforça que o objetivo não deve ser apenas aumentar a quantidade de anos vividos, mas ampliar a qualidade desses anos por meio da manutenção da autonomia e da funcionalidade.
Assim, a ciência indica que a corrida não acelera o envelhecimento. Pelo contrário: quando praticada de forma equilibrada e acompanhada de hábitos saudáveis, ela pode ser uma importante aliada da longevidade e da qualidade de vida.

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