Má qualidade do ar tem reflexo no funcionamento do cérebro, diz estudo

Pessoas que trabalham em ambientes poluídos podem ter prejuízos nas funções cognitivas, como a capacidade de concentração

atualizado 22/09/2021 12:07

Escritório Getty Images

Com que frequência os filtros do ar-condicionado de onde você trabalha são higienizados? A qualidade do ar dentro de um escritório pode influenciar negativamente o funcionamento do cérebro dos funcionários, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores do programa Harvard Healthy Buildings, dos Estados Unidos. O artigo foi publicado online, em 9/9, na plataforma Environmental Research Letters.

Ao avaliar 302 funcionários de escritórios de seis países – incluindo EUA, China, Reino Unido, Índia, México e Tailândia – ao longo de 12 meses, os cientistas observaram que o estado do ar pode prejudicar funções cognitivas como a capacidade de concentração, tempo de resposta e o processamento de informações.

O grupo liderado por Joseph G. Allen, diretor do programa e autor do estudo, analisou a ventilação e a qualidade do ar dentro dos escritórios e fora deles (o ambiente externo foi considerado por conta da troca de ar que acontece pelas janelas e portas). Foram avaliados os níveis de partículas finas presentes no ar, incluindo poeira, partículas de fumo e produtos de limpeza suspensos no ar.

Ao mesmo tempo, os voluntários foram submetidos a testes cognitivos regulares no período em que estavam no trabalho, através de um aplicativo que eles mesmos deveriam ter em seus dispositivos. Os participantes precisaram resolver problemas simples de matemática e fazer o teste Stroop, onde deviam nomear a cor que uma palavra está escrita.

De acordo com o estudo, concentrações aumentadas de partículas finas e taxas de ventilação mais baixas foram associadas a tempos de resposta mais lentos e redução da precisão em uma série de testes cognitivos. As pessoas que trabalham em escritórios com má qualidade de ar interno apresentaram pior desempenho nos testes.

Com o resultado em mãos, os autores do estudo argumentam que a preocupação com a qualidade do ar não deve se limitar ao período de pandemia da Covid-19, mas se tornar uma prática comum das empresas para garantir ambientes mais saudáveis e funcionários mais saudáveis.

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