Hiperplasia da próstata pode aumentar a frequência urinária dos homens
Condição comum após os 40 anos afeta o sono e a qualidade de vida, mas tem tratamento eficaz
atualizado
Compartilhar notícia

A próstata é uma glândula que com o passar dos anos tende a aumentar de tamanho, em um processo natural, conhecido como hiperplasia prostática benigna (HPB) principalmente em adultos acima dos 40 anos. Embora não seja câncer, a condição pode impactar diretamente a rotina masculina, principalmente com o aumento da frequência urinária, inclusive durante a noite.
De acordo com o urologista Berthran Severo Garcia, que atende no Hospital Santa Lúcia Gama, no Distrito Federal, esse crescimento pode ser esperado. “É uma condição natural e benigna. Hábitos saudáveis como boa alimentação, prática de exercícios, evitar obesidade e tabagismo podem retardar esse processo”, explica.
Sintomas vão além do tamanho da próstata
Apesar do aumento da próstata ser comum, o volume por si só não define a necessidade de tratamento. Segundo o especialista, a avaliação clínica é essencial.
“O volume até 30 gramas é considerado uma referência, mas sintomas como jato urinário fraco, sensação de esvaziamento incompleto e acordar várias vezes à noite são tão importantes quanto o tamanho da próstata”, afirma Garcia.
Esses sintomas estão diretamente ligados aos chamados distúrbios miccionais, que afetam o fluxo urinário e a qualidade de vida.
O também urologista Ricardo Ferro, do Hospital Brasília Águas Claras, reforça que o incômodo do paciente é o principal critério para iniciar o tratamento. “Acordar uma vez à noite pode ser normal. Mas quando isso se repete várias vezes e atrapalha o sono, já é um sinal de alerta”, pontua.
Hiperplasia não é câncer, mas exige atenção
Uma das maiores dúvidas é diferenciar a hiperplasia benigna do câncer de próstata. Os especialistas são diretos: não dá para confiar apenas nos sintomas.
Enquanto a hiperplasia da próstata costuma causar sinais urinários evidentes, o câncer, principalmente nas fases iniciais, é silencioso. “Quando aparecem sintomas como sangue na urina, no esperma ou perda de peso, o quadro pode já estar avançado”, alerta Garcia. Por isso, o acompanhamento médico regular continua sendo indispensável.
Tratamento depende do impacto na vida do paciente
O tratamento da hiperplasia pode variar bastante. Em casos leves, mudanças no estilo de vida já ajudam a controlar os sintomas. Quando há impacto significativo, entram os medicamentos.
“Atualmente usamos dois tipos principais de remédios, que podem ser combinados. Alguns podem interferir na libido ou causar ejaculação retrógrada”, explica Garcia.
Ferro acrescenta que esses efeitos não são universais e podem ser ajustados. “Hoje existem diferentes opções terapêuticas, e o tratamento pode ser personalizado para minimizar impactos na vida sexual”, diz.
Cirurgia é indicada em casos mais avançados
Quando o tratamento clínico não resolve, a cirurgia pode ser necessária. O procedimento não remove toda a próstata, mas apenas a parte interna aumentada.
A técnica considerada padrão-ouro atualmente é a enucleação por laser via transuretral. “É um procedimento menos invasivo, com menos sangramento e recuperação mais rápida”, destaca Garcia.
Já em próstatas muito volumosas, há alternativas como a cirurgia robótica, que também apresenta bons resultados.
O aumento da próstata é uma das principais causas de frequência urinária em homens acima dos 40 anos. Embora seja uma condição benigna, ela pode impactar diretamente o sono, a produtividade e o bem-estar. A avaliação médica é essencial para diferenciá-la de doenças mais graves e indicar o melhor tratamento.
