Gratidão melhora humor e relações, mas efeito varia entre países
Estudo com 10 mil pessoas em 34 países mostra que práticas simples elevam bem-estar, com diferenças culturais no resultado

Práticas de gratidão, como escrever mensagens de agradecimento ou refletir sobre experiências positivas, podem melhorar o humor e fortalecer relações. Um estudo com mais de 10 mil pessoas em 34 países indica, porém, que esses efeitos não são iguais em todos os lugares.
A pesquisa foi publicada na revista PNAS em 7 de abril e contou com participação de brasileiros. Ao todo, 598 voluntários no país participaram das atividades propostas de forma on-line.
Resultados aparecem em poucas semanas
Os participantes foram orientados a realizar diferentes exercícios de gratidão ao longo do estudo. Entre eles estavam escrever cartas, listar motivos de agradecimento e refletir sobre situações recentes. De forma geral, todas as práticas trouxeram ganhos mensuráveis. Os voluntários relataram mais emoções positivas, maior satisfação com a vida e menos sentimentos negativos, como inveja.
Segundo os autores, os efeitos surgiram rapidamente e foram mais fortes do que em grupos que não fizeram as atividades ou apenas escreveram sobre eventos cotidianos.
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Entre as seis estratégias testadas, a que mais se destacou foi enviar uma mensagem de agradecimento a alguém. Já a prática mais comum, de listar motivos para agradecer, teve resultado mais discreto.
Para o psicólogo Paulo Sérgio Boggio, um dos autores do estudo, o fator central está na interação social. “Quando a gratidão envolve outra pessoa, o efeito tende a ser maior”, afirma.
Ele explica que o sentimento está ligado à criação de vínculos. “A gratidão aumenta a chance de ajudar outras pessoas, o que fortalece relações ao longo do tempo”.
Cultura influencia os resultados
O estudo também identificou diferenças relevantes entre países. Enquanto no México as práticas tiveram efeito mais forte, na Noruega o resultado foi próximo de zero. O Brasil ficou em nível intermediário.
Fatores culturais ajudam a explicar essa variação. Aspectos como religiosidade, normas sociais e a forma como cada sociedade lida com hierarquias influenciam a resposta às atividades.
Apesar das diferenças, um efeito foi observado de forma consistente. Sentir-se mais positivo após os exercícios apareceu em praticamente todos os países analisados.
Os pesquisadores agora tentam entender como adaptar essas práticas a diferentes contextos culturais. A ideia é identificar quais estratégias funcionam melhor em cada realidade.



