Medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, usados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, foram associados a uma redução no risco de morte, amputações e hospitalizações em pessoas que também apresentam doença arterial periférica (DAP). Os resultados foram publicados nessa quarta-feira (1/7) no Journal of the American Heart Association.
A doença arterial periférica ocorre quando há estreitamento das artérias, principalmente nas pernas, reduzindo o fluxo de sangue para os membros. Em casos mais graves, pode provocar dor intensa, dificuldade para caminhar, feridas que não cicatrizam e até amputações.
No estudo, pesquisadores da Cleveland Clinic analisaram prontuários de mais de 2 mil adultos com diabetes tipo 2 e doença arterial periférica que utilizavam medicamentos da classe dos GLP-1. Os resultados foram comparados aos de pacientes tratados apenas com metformina, um dos remédios mais utilizados para controlar a doença.
Menor risco de morte e amputação
Em comparação com a metformina, o uso de agonistas do receptor de GLP-1 foi associado a uma redução de 26% no risco de morte por qualquer causa, 13% nas hospitalizações, até 48% nas amputações e 36% na necessidade de procedimentos para desobstruir artérias das pernas.
Por outro lado, os pesquisadores não observaram diferenças entre os grupos na ocorrência de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) ou complicações renais graves.
Segundo a análise, os benefícios foram ainda mais evidentes entre pacientes com doença arterial periférica mais avançada e entre pessoas com obesidade.
Os pesquisadores afirmam que os resultados reforçam evidências de que os medicamentos da classe dos GLP-1 podem oferecer benefícios que vão além do controle da glicemia e da perda de peso.
Segundo a equipe, esses efeitos podem estar relacionados à redução da inflamação, à melhora da função dos vasos sanguíneos e ao controle dos níveis de açúcar no sangue. No entanto, o mecanismo exato ainda precisa ser esclarecido.
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O diabetes é uma doença que tem como principal característica o aumento dos níveis de açúcar no sangue. Grave e, durante boa parte do tempo, silenciosa, pode afetar vários órgãos do corpo, tais como: olhos, rins, nervos e coração, quando não tratada
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O diabetes surge devido ao aumento da glicose no sangue, que é chamado de hiperglicemia. Isso ocorre como consequência de defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas
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A função principal da insulina é promover a entrada de glicose nas células, de forma que elas aproveitem o açúcar para as atividades celulares. A falta da insulina ou um defeito na sua ação ocasiona o acúmulo de glicose no sangue, que em circulação no organismo vai danificando os outros órgãos do corpo
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Uma das principais causas da doença é a má alimentação. Dietas ruins baseadas em alimentos industrializados e açucarados, por exemplo, podem desencadear diabetes. Além disso, a falta de exercícios físicos também contribui para o mal
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O diabetes pode ser dividido em três principais tipos. O tipo 1, em que o pâncreas para de produzir insulina, é a tipagem menos comum e surge desde o nascimento. Os portadores do tipo 1 necessitam de injeções diárias de insulina para manter a glicose no sangue em valores normais
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Já o diabetes tipo 2 é considerada a mais comum da doença. Ocorre quando o paciente desenvolve resistência à insulina ou produz quantidade insuficiente do hormônio. O tratamento inclui atividades físicas regulares e controle da dieta
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O diabetes gestacional acomete grávidas que, em geral, apresentam histórico familiar da doença. A resistência à insulina ocorre especialmente a partir do segundo trimestre e pode causar complicações para o bebê, como má-formação, prematuridade, problemas respiratórios, entre outros
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Além dessas, existem ainda outras formas de desenvolver a doença, apesar de raras. Algumas delas são: devido a doenças no pâncreas, defeito genético, por doenças endócrinas ou por uso de medicamento
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É comum também a utilização do termo pré-diabetes, que indica o aumento considerável de açúcar no sangue, mas não o suficiente para diagnosticar a doença
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Os sintomas do diabetes podem variar dependendo do tipo. No entanto, de forma geral, são: sede intensa, urina em excesso e coceira no corpo. Histórico familiar e obesidade são fatores de risco
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Alguns outros sinais também podem indicar a presença da doença, como saliências ósseas nos pés e insensibilidade na região, visão embaçada, presença frequente de micoses e infecções
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O diagnóstico é feito após exames de rotina, como o teste de glicemia em jejum, que mede a quantidade de glicose no sangue. Os valores de referência são: inferior a 99 mg/dL (normal), entre 100 a 125 mg/dL (pré-diabetes), acima de 126 mg/dL (diabetes)
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Qualquer que seja o tipo da doença, o principal tratamento é controlar os níveis de glicose. Manter uma alimentação saudável e a prática regular de exercícios ajudam a manter o peso saudável e os índices glicêmicos e de colesterol sob controle
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Quando o diabetes não é tratado devidamente, os níveis de açúcar no sangue podem ficar elevados por muito tempo e causar sérios problemas ao paciente. Algumas das complicações geradas são surdez, neuropatia, doenças cardiovasculares, retinoplastia e até mesmo depressão
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Mais pesquisas são necessárias
Os autores destacam que a pesquisa analisou prontuários médicos, o que permite identificar associações, mas não comprovar que os medicamentos foram diretamente responsáveis pelos benefícios observados.
Por isso, eles afirmam que novos estudos clínicos serão necessários para confirmar os resultados e avaliar se esses efeitos também podem ocorrer em pessoas com doença arterial periférica que não têm diabetes tipo 2.