Bariátrica ainda tem melhores resultados do que GLP-1, aponta estudo

Bariátrica teve melhor resultado que GLP-1 em perda de peso e remissão de doenças associadas à obesidade em estudo apresentado nesta quarta

atualizado

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Injeções para perda de peso com Semaglutida. Uma mulher obesa administra uma injeção de hormônio peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1) no abdômen com uma seringa de caneta para tratar diabetes
1 de 1 Injeções para perda de peso com Semaglutida. Uma mulher obesa administra uma injeção de hormônio peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1) no abdômen com uma seringa de caneta para tratar diabetes - Foto: Getty Images

A cirurgia bariátrica pode ser mais eficaz do que medicamentos GLP-1 para perda de peso e controle de doenças associadas à obesidade, segundo um estudo apresentado no encontro anual da American Society for Metabolic and Bariatric Surgery (ASMBS), realizado nesta quarta-feira 6/5 nos Estados Unidos.

A pesquisa, feita por cientistas da Yale School of Medicine e outras universidades norte-americanas, analisou dados envolvendo mais de 430 mil pacientes, e comparou os resultados de pessoas tratadas com cirurgia metabólica e bariátrica com os pacientes que usaram as canetas emagrecedoras no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.

Os resultados indicam que, embora as duas estratégias tenham produzido benefícios, a cirurgia bariátrica teve desempenho superior em todos os desfechos avaliados. Após 12 meses, os pacientes submetidos ao procedimento cirúrgico tiveram perda de peso mais de 20% maior do que aqueles tratados com medicamentos GLP-1, classe das chamadas canetas emagrecedoras.

A cirurgia também foi associada a taxas mais altas de remissão de doenças relacionadas à obesidade, com diferença de 42% para diabetes tipo 2, 12,8% para hipertensão e 20,8% para colesterol alto em comparação ao grupo que recebeu os remédios.

Tratamentos não são substitutos diretos

Apesar do avanço dos medicamentos GLP-1, os autores destacam que eles não devem ser vistos necessariamente como substitutos da cirurgia bariátrica. A avaliação é que os remédios ampliaram as opções de tratamento para a obesidade, mas podem não atingir a mesma magnitude ou durabilidade dos resultados cirúrgicos em pacientes com obesidade grave.

Um dos pontos levantados pelos pesquisadores é que os efeitos dos GLP-1 dependem da continuidade do tratamento. Quando o uso é interrompido, seja por efeitos colaterais, custo, dificuldade de acesso ou outros fatores, parte dos benefícios pode diminuir. Já a cirurgia tende a produzir efeitos mais sustentados ao longo do tempo, especialmente em pacientes com maior grau de obesidade.

A análise também chama atenção porque, segundo os autores, ainda não há ensaios clínicos randomizados comparando diretamente os medicamentos GLP-1 com a cirurgia bariátrica. Por isso, os pesquisadores defendem que são necessários mais estudos de vida real para entender melhor em quais perfis de pacientes cada tratamento funciona melhor.

A pesquisa não significa que a bariátrica é indicada para todos, nem que os remédios emagrecedores sejam a melhor opção em todos os casos. A escolha deve considerar o grau de obesidade, as doenças associadas, o histórico de saúde, o acesso ao tratamento e o acompanhamento médico de longo prazo.

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