Cientistas testam enzima que pode prolongar o efeito do GLP-1

Pesquisa detalha tecnologia capaz de modificar moléculas do tipo GLP-1, que pode ajudar a criar medicamentos mais estáveis no futuro

atualizado

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Foto colorida de mulher aplicando GLP-1 em seringa, na região abdominal- Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de mulher aplicando GLP-1 em seringa, na região abdominal- Metrópoles - Foto: Freepik

Cientistas da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, apresentaram uma nova estratégia que pode contribuir para o desenvolvimento de remédios mais duradouros da mesma classe do Ozempic.

Publicado em outubro de 2025 na revista científica ACS Bio & Med Chem Au, o estudo descreve como uma enzima natural foi usada para modificar peptídeos terapêuticos semelhantes ao GLP-1, hormônio relacionado ao controle da fome, da glicose e do metabolismo.

A pesquisa teve foco em um desafio conhecido da indústria farmacêutica: muitos medicamentos feitos com peptídeos têm grande potencial terapêutico, mas costumam ser frágeis e se degradam rapidamente no organismo. Isso pode limitar o tempo de ação e exigir formulações mais complexas.

No trabalho, os pesquisadores analisaram a enzima PapB, pertencente a um grupo de proteínas capazes de remodelar moléculas naturais. A equipe testou se ela conseguiria atuar em peptídeos sintéticos inspirados em medicamentos modernos.

Conforme apresenta o artigo, a enzima foi capaz de promover uma reação química chamada macrocilização, que transforma cadeias lineares em estruturas circulares. Para isso, a PapB cria uma ligação do tipo tioéter, conectando partes diferentes da molécula e formando um anel mais rígido e estável.

Os autores destacam que conseguiram aplicar o método em sequências peptídicas relacionadas ao GLP-1, algo considerado relevante, porque compostos dessa família são amplamente usados no tratamento da obesidade e da diabetes.

GLP-1 é a sigla para peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (glucagon-like peptide-1), um hormônio produzido naturalmente no intestino, principalmente após as refeições, que ajuda o corpo a controlar a glicose e a saciedade.


O que o GLP-1 faz no organismo

  • Estimula a liberação de insulina quando a glicose sobe.
  • Reduz a liberação de glucagon, hormônio que aumenta a glicose no sangue.
  • Retarda o esvaziamento do estômago, fazendo a digestão ser mais lenta.
  • Aumenta a sensação de saciedade, o que pode reduzir o apetite.

O estudo também relata que a enzima demonstrou tolerância a diferentes sequências químicas, indicando potencial de adaptação para novas moléculas terapêuticas.

Moléculas lineares tendem a ser mais vulneráveis à ação de enzimas digestivas e a processos naturais de degradação. Já estruturas circulares costumam apresentar maior resistência, além de poderem permanecer ativas por mais tempo no organismo.

Na prática, isso significa que técnicas como a descrita no estudo podem, no futuro, ajudar a desenvolver medicamentos com maior estabilidade, menor necessidade de aplicações frequentes e desempenho farmacológico mais previsível.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que o trabalho teve caráter experimental e químico. Não houve testes clínicos em humanos nem comparação direta com o Ozempic vendido atualmente.

O que muda para pacientes agora?

Nada no curto prazo. A descoberta representa uma etapa inicial de pesquisa básica, importante para abrir caminhos tecnológicos, mas distante da aplicação imediata nas farmácias.

Antes que uma inovação desse tipo chegue ao mercado, ainda seriam necessários estudos adicionais em células, animais e humanos, além de análises de segurança, eficácia e viabilidade industrial.

Medicamentos da classe GLP-1 ganharam destaque global nos últimos anos por ajudarem no emagrecimento e no controle metabólico. Por isso, qualquer técnica que permita aprimorar moléculas dessa categoria desperta interesse científico e comercial.

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