Fenômeno raro: crianças inalam células cancerígenas das mães durante parto

Dois casos foram notificados no Japão. Recém-nascido e menino de 6 anos tiveram câncer no pulmão após serem "contaminados" pelas mães

atualizado 14/01/2021 18:22

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A passagem de células cancerígenas da mãe para o bebê é um fenômeno muito raro que, geralmente, acontece pela placenta. Pesquisadores estimam que a situação possa acontecer duas vezes a cada milhão de nascimentos de gestantes com câncer. Cientistas japoneses, porém, podem ter descoberto uma nova forma de transmissão.

De acordo com uma pesquisa publicada no New England Journal of Medicine, dois casos mostram que é possível que o bebê inale, durante o parto, células cancerígenas do colo do útero da mãe.

“Se a mãe tem a doença, o bebê pode ser exposto às células tumorais presentes nos fluidos do canal vaginal e aspirar essas células para os pulmões”, explica Ayumu Arakawa, cientista à frente da pesquisa.

É o que parece ter acontecido com um bebê de 23 dias, diagnosticado com câncer no pulmão. O neném tossia muito e foi diagnosticado com um tumor no órgão. Depois de quimioterapia e cirurgia, perdeu uma parte do pulmão, mas se recuperou.

A mãe da criança só recebeu diagnóstico de câncer três meses após o parto. Em uma análise em laboratório, os pesquisadores encontraram similaridades genéticas entre o câncer da mãe e do filho, e a falta de cromossomos Y, sugerindo que as células vieram da mãe. A mulher morreu meses depois, em consequência da doença.

No outro caso, a criança de seis anos também tinha tumores nos pulmões, e as células cancerígenas possuíam informações genéticas que condiziam com o câncer da mãe. A mulher só foi diagnosticada durante a gestação, tirou o útero após o parto, mas morreu dois anos depois.

O câncer das duas crianças tinham marcadores genéticos compatíveis com o HPV e, por isso, os pesquisadores concluíram a relação entre os dois. Na maioria dos casos de transmissão de câncer da mãe para o filho, a neoplasia atinge tecidos como cérebro, ossos e fígado.

“É provável que as células tumorais maternas estavam presentes no fluido amniótico e nas secreções, ou no sangue do cérvix, e foram aspiradas pelas crianças durante o parto normal”, escrevem os cientistas. Eles sugerem, além do uso mais ampliado da vacina de HPV, que, nesses casos, o parto seja cesáreo.

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