Exército pagou 167% mais caro em insumos da cloroquina sem contestar

Preço representa gasto de cerca de R$ 782 mil e está sendo analisado pela Procuradoria-Geral da República

atualizado

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1 de 1 hydroxychloroquine - Foto: Samir Jana/Hindustan Times/Getty Images

Sem questionar, o laboratório do Exército Brasileiro, responsável pela produção de cloroquina no país, comprou insumos para fabricar o medicamento por um valor 167% mais alto do que o cobrado dois meses antes. Não houve contestação sobre o aumento, e o custo dos contratos foi R$ 782,4 mil a mais para os cofres públicos.

As informações são da CNN Brasil. Segundo o jornal, só foram cobradas explicações sobre a diferença de preço depois que a compra já tinha sido finalizada e se tornou alvo de investigação pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A Procuradoria-Geral da República (PGR) já recebeu denúncia e está analisando se irá instaurar um inquérito.

O aumento de preço sem justificativa em compras públicas pode ser enquadrado como improbidade administrativa, diz o canal de televisão.

A explicação do grupo Sul Minas, responsável pela venda, é que, em março de 2020, a fabricante do produto teria elevado o preço em 300% e em mais 600% no mês seguinte. A empresa também alega aumento de 300% no valor do frete internacional e uma variação cambial de 45%.

Os 300 kg de difosfato de cloroquina adquiridos em março de 2020 custaram R$ 488/kg e, em maio, o preço subiu para R$ 1.304/kg. Os valores absolutos da variação percentual não foram divulgados para que se confirme o preço.

Porém, ainda de acordo com o jornal, a Sul Minas admitiu que tinha estoque do material desde março, e parte do insumo não foi adquirida no mercado internacional, e sim dentro do Brasil.

Aposta do governo

A cloroquina é a principal aposta do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para tratar casos leves de Covid-19, apesar de o uso não apresentar comprovação científica e não ser indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O medicamento está sendo enviado, sob pedido, aos estados e municípios, e o laboratório do Exército responsável pela produção aumentou a tiragem para abastecer o mercado.

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Vários estudos comprovaram que a cloroquina não tem eficácia contra a Covid-19
Medida foi tomada para evitar que a população usasse a mesma receita para comprar várias unidades e fazer estoque em casa
O uso do remédio é recomendado apenas para pessoas com alto risco de evolução para o caso grave da doença
Azitromicina, cloroquina e outros remédios do kit Covid não têm comprovação científica de eficácia contra o coronavírus
De acordo com a Pfizer, a pílula tem 89% de eficácia na prevenção de hospitalizações e mortes de pacientes de alto risco contaminados pela Covid-19
Nos anos anteriores, o HFA não recebeu sequer uma unidade do medicamento
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Nos anos anteriores, o HFA não recebeu sequer uma unidade do medicamento

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Vários estudos comprovaram que a cloroquina não tem eficácia contra a Covid-19
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Vários estudos comprovaram que a cloroquina não tem eficácia contra a Covid-19

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Medida foi tomada para evitar que a população usasse a mesma receita para comprar várias unidades e fazer estoque em casa
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Medida foi tomada para evitar que a população usasse a mesma receita para comprar várias unidades e fazer estoque em casa

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O uso do remédio é recomendado apenas para pessoas com alto risco de evolução para o caso grave da doença
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O uso do remédio é recomendado apenas para pessoas com alto risco de evolução para o caso grave da doença

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Azitromicina, cloroquina e outros remédios do kit Covid não têm comprovação científica de eficácia contra o coronavírus
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Azitromicina, cloroquina e outros remédios do kit Covid não têm comprovação científica de eficácia contra o coronavírus

Myke Sena/Esp. Metrópoles
De acordo com a Pfizer, a pílula tem 89% de eficácia na prevenção de hospitalizações e mortes de pacientes de alto risco contaminados pela Covid-19
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De acordo com a Pfizer, a pílula tem 89% de eficácia na prevenção de hospitalizações e mortes de pacientes de alto risco contaminados pela Covid-19

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