Nefrologista explica como excesso de proteína pode prejudicar os rins

Excesso de proteína prejudica os rins de várias formas e é mais perigoso ainda para quem tem histórico de cálculos renais

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1 de 1 Ilustração de rins - Metrópoles - Foto: magicmine/Getty Images

Nos últimos tempos, dietas com muita proteína — com consumo exagerado de whey protein, por exemplo —  ganharam atenção entre as pessoas que fazem atividade física. Embora a proteína seja importante para o organismo, o excesso, principalmente sem acompanhamento profissional, pode causar vários riscos para os rins.

Isso acontece porque muitas pessoas começam esse tipo de dieta sem saber como está a saúde renal. Doenças nos rins costumam evoluir de forma silenciosa e podem ficar anos sem provocar sintomas.

“Antes de começar uma dieta com alta carga de proteína, é fundamental realizar uma avaliação clínica e exames simples, como a dosagem da creatinina, que mostra como está o funcionamento dos rins”, orienta a nefrologista Fernanda Moreira, da Fenix Nefrologia.

Qual é a função dos rins?

  • Filtrar o sangue e eliminar toxinas pela urina.
  • Controlar o equilíbrio de água e sais no organismo.
  • Ajudar a regular a pressão arterial.
  • Produzir hormônios importantes para o corpo.
  • Participar da produção de glóbulos vermelhos no sangue.

O que é e quais os riscos do excesso de whey protein?

O whey protein é um suplemento feito a partir do soro do leite, uma parte que sobra durante o processo de fabricação do queijo. Ele é rico em proteínas de rápida absorção e, por isso, ficou popular entre pessoas que praticam atividade física.

O produto costuma ser usado para ajudar na recuperação muscular depois dos treinos e no aumento da ingestão diária de proteína. Por ser bem prático, também passou a ser incluído em dietas voltadas para emagrecimento ou ganho de massa muscular.

Consumir proteína em excesso pode provocar mudanças no funcionamento do corpo. No sistema digestivo, por exemplo, o intestino libera substâncias que reduzem o apetite e diminuem a produção de grelina, hormônio ligado à fome.

O excesso também interfere no metabolismo, alterando a forma como o organismo processa glicose e aminoácidos. Com o tempo, isso pode reduzir a sensibilidade à insulina, especialmente quando a proteína vem principalmente de alimentos de origem animal.

Para quem é saudável, sem doença renal, o consumo maior de proteína geralmente não traz prejuízos diretos. O risco aparece quando a pessoa já tem alguma alteração nos rins e não sabe. Nesses casos, o excesso de proteína pode sobrecarregar o órgão e acelerar a perda da função renal.

Pessoas com histórico de cálculo renal também precisam tomar muito cuidado, já que os estudos indicam que dietas muito ricas em proteína podem aumentar o risco de formação de novas pedras. Além da dor muito forte, pedras nos rins podem provocar infecções urinárias e, com o tempo, afetar o funcionamento do órgão como um todo.

Apesar da popularidade, os especialistas de saúde contam que o suplemento não é necessário para todo mundo. Em muitos casos, a quantidade de proteína recomendada pode ser obtida só por meio da alimentação, por exemplo.


Sintomas que podem indicar problema nos rins

  • Inchaço no corpo.
  • Diminuição da quantidade de urina.
  • Urina espumosa.
  • Pressão alta difícil de controlar.
  • Cansaço frequente.

Todo mundo precisa de whey protein?

O ideal é que o consumo seja orientado por um profissional de saúde ou nutricionista, já que a dosagem depende de alguns fatores, relativos a cada indivíduo.

A quantidade de proteína necessária depende de fatores como peso, nível de atividade física, presença de doenças e objetivo com a dieta ou treino. Nesse contexto, consumir proteína além do necessário não traz ganhos extras e pode acabar sobrecarregando o organismo.

“A dose ideal de whey depende de quanto do macronutriente já está sendo consumido por meio de alimentos naturais, como carnes, ovos, laticínios, leguminosas e grãos, e de quanto ainda falta para atingir a meta proteica de cada pessoa”, explica o nutricionista esportivo Gustavo Carvalho, da Clínica Olympia, em Brasília.

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