Estudo diz que novo anticoagulante pode reduzir risco de AVC isquêmico

Pesquisa com mais de 10 mil pacientes aponta menor incidência de AVC com asundexian, sem aumento de sangramentos graves

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Um novo anticoagulante pode reduzir o risco de acidente vascular cerebral (AVC) sem aumentar complicações por sangramento. A conclusão é de um estudo internacional publicado nesta quarta-feira (15/4) no New England Journal of Medicine, que avaliou a medicação asundexian em pacientes com histórico recente de AVC isquêmico ou ataque isquêmico transitório (AIT).

A pesquisa investigou se o medicamento, quando adicionado ao tratamento padrão, seria capaz de prevenir novos eventos sem elevar riscos — um dos principais desafios no uso de anticoagulantes.

O ensaio clínico de fase 3 – etapa final e crucial dos testes- incluiu 12.327 mil pacientes que haviam sofrido um AVC isquêmico não cardioembólico ou um AIT recente. Esse grupo foi escolhido por apresentar risco elevado de recorrência, mesmo após o início do tratamento.

Todos os participantes já utilizavam terapia antiplaquetária padrão, como aspirina isolada ou em combinação com outros medicamentos. A proposta foi avaliar se a adição da asundexian traria benefício adicional.

Os pacientes foram divididos de forma aleatória em dois grupos: um recebeu asundexian, na dose de 50 mg uma vez ao dia, enquanto o outro recebeu placebo.

Nem os participantes nem os pesquisadores sabiam quem estava em cada grupo. O acompanhamento foi feito ao longo de vários meses, com monitoramento de novos eventos vasculares e possíveis efeitos adversos. Os pesquisadores definiram dois pontos principais para a análise:

  • Ocorrência de um novo AVC isquêmico;
  • Episódios de sangramento grave ou clinicamente relevante.

Também foram observados outros eventos cardiovasculares, como infarto, dentro de desfechos combinados. De acordo com o estudo, a incidência de AVC isquêmico foi menor entre os pacientes que receberam asundexian em comparação ao grupo que recebeu placebo.

Ao mesmo tempo, não houve aumento significativo de sangramentos graves nos indivíduos  que utilizaram o medicamento, em relação ao grupo controle.

O benefício foi observado mesmo com todos os pacientes já em tratamento padrão, o que sugere um efeito adicional da nova medicação na prevenção de novos eventos.

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O acidente pode ocorrer por diversos motivos, como acúmulos de placas de gordura ou formação de um coágulo – que dão origem ao AVC isquêmico –, sangramento por pressão alta e até ruptura de um aneurisma – causando o AVC hemorrágico
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O derrame cerebral não tem cura, entretanto, pode ser prevenido em grande parte dos casos. Quando isso acontece, é possível investir em tratamentos para melhora do quadro e em reabilitação para diminuir o risco de sequelas
Na maioria das vezes, acontece em pessoas acima dos 50 anos, entretanto, também é possível acometer jovens. A doença pode acontecer devido a cinco principais causas
Tabagismo e má alimentação: é importante adotar uma dieta mais saudável, rica em vegetais, frutas e carne magra, além de praticar atividade física pelo menos 3 vezes na semana e não fumar
O acidente vascular cerebral, também conhecido como AVC ou derrame cerebral, é a interrupção do fluxo de sangue para alguma região do cérebro
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Agência Brasil
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O acidente pode ocorrer por diversos motivos, como acúmulos de placas de gordura ou formação de um coágulo – que dão origem ao AVC isquêmico –, sangramento por pressão alta e até ruptura de um aneurisma – causando o AVC hemorrágico

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Um novo caminho possível na prevenção

A asundexian atua inibindo o fator XIa da coagulação, uma proteína envolvida na formação de coágulos. Diferentemente de anticoagulantes tradicionais, que interferem de forma mais ampla na coagulação, esta estratégia busca atuar em uma etapa mais específica do processo.

A expectativa é reduzir a formação de trombos — responsáveis pelo AVC — sem aumentar de forma relevante o risco de sangramento. Apesar dos resultados promissores, a asundexian ainda é considerada um medicamento em investigação.

Os dados precisam ser analisados por agências regulatórias antes de qualquer aprovação, assim como novos estudos também devem avaliar como o medicamento se comporta em diferentes perfis de pacientes e em comparação com outras terapias já disponíveis.

O AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo, e o risco de recorrência permanece alto após o primeiro evento. Os resultados do estudo indicam que a inibição do fator XIa pode abrir caminho para uma nova geração de anticoagulantes mais seguros.

Ainda assim, a incorporação na prática clínica depende de confirmação dos dados em longo prazo e da avaliação das autoridades de saúde.

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