Estudo aponta que uso de drogas recreativas pode dobrar risco de AVC

Análise com dados de mais de 100 milhões de pessoas associa cocaína, anfetaminas e cannabis ao aumento do risco de AVC

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Foto colorida de mulher segurando psicodélico na mão - Psiquiatra explica riscos do uso de psicodélicos fora de tratamento - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de mulher segurando psicodélico na mão - Psiquiatra explica riscos do uso de psicodélicos fora de tratamento - Metrópoles - Foto: D-Keine/Getty Images

O uso de drogas recreativas pode aumentar significativamente o risco de acidente vascular cerebral (AVC), segundo uma análise que reuniu dados de mais de 100 milhões de pessoas. O estudo indica que algumas substâncias estão associadas a um risco muito maior de sofrer o problema, especialmente entre indivíduos mais jovens.

Os resultados foram publicados na revista científica International Journal of Stroke em 21 de janeiro e fazem parte de uma revisão que avaliou dezenas de pesquisas já realizadas sobre o tema.


O que é o AVC

  • O AVC ocorre quando o fluxo de sangue para o cérebro é interrompido, seja por bloqueio ou rompimento de um vaso sanguíneo.
  • Sem oxigênio e nutrientes, as células cerebrais começam a morrer rapidamente.
  • A condição é considerada uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo.
  • Todos os anos, milhões de pessoas morrem por causa do problema e muitas outras ficam com sequelas permanentes, que podem incluir paralisia, dificuldade de fala e comprometimento cognitivo.

Os cientistas estudaram informações de 32 estudos que investigaram a relação entre o uso de drogas ilícitas e a ocorrência de AVC.

A partir da comparação entre usuários e não usuários, os pesquisadores observaram que o risco era consideravelmente mais alto entre pessoas que consumiam determinadas substâncias.

Segundo a análise, usuários de anfetaminas apresentaram um risco 122% maior de AVC. No caso da cocaína, o aumento foi de 96%. Já o uso de cannabis esteve associado a um risco de 37% maior em comparação com pessoas que não utilizavam a droga.

“Esta é uma das primeiras análises a demonstrar com mais clareza como diferentes transtornos relacionados ao uso de substâncias podem influenciar o risco de AVC”, afirma Megan Ritson, pesquisadora associada da Universidade de Cambridge e principal autora do estudo, em comunicado.

Os pesquisadores também examinaram separadamente os dados de pessoas com menos de 55 anos. Nessa faixa etária, o impacto de algumas drogas foi ainda mais evidente.

Entre usuários de anfetaminas, o risco de AVC foi quase três vezes maior. O aumento associado ao uso de cocaína permaneceu elevado, enquanto a cannabis apresentou um crescimento mais moderado no risco nessa faixa etária.

Possíveis mecanismos por trás da associação

De acordo com os pesquisadores, diferentes drogas podem afetar o sistema cardiovascular de maneiras que aumentam o risco de AVC.

Substâncias como cocaína e anfetaminas podem provocar aumentos abruptos da pressão arterial e causar contração dos vasos sanguíneos do cérebro, o que favorece tanto bloqueios quanto hemorragias cerebrais.

A cocaína também está associada ao avanço da aterosclerose, processo em que gordura e colesterol se acumulam nas artérias.

a cannabis pode estimular a formação de coágulos e também provocar constrição dos vasos sanguíneos, fatores que contribuem para o aumento do risco de eventos cerebrovasculares.

Os autores ressaltam que apesar do estudo identificar uma associação entre o uso dessas drogas e o AVC, não e possível afirmar de forma definitiva que as substâncias são a única causa do problema. Ainda assim, análises genéticas realizadas pela equipe reforçam a hipótese de que o uso dessas drogas pode contribuir diretamente para o aumento do risco.

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O acidente pode ocorrer por diversos motivos, como acúmulos de placas de gordura ou formação de um coágulo – que dão origem ao AVC isquêmico –, sangramento por pressão alta e até ruptura de um aneurisma – causando o AVC hemorrágico
Muitos sintomas são comuns aos acidentes vasculares isquêmicos e hemorrágicos, como: dor de cabeça muito forte, fraqueza ou dormência em alguma parte do corpo, paralisia e perda súbita da fala
O derrame cerebral não tem cura, entretanto, pode ser prevenido em grande parte dos casos. Quando isso acontece, é possível investir em tratamentos para melhora do quadro e em reabilitação para diminuir o risco de sequelas
Na maioria das vezes, acontece em pessoas acima dos 50 anos, entretanto, também é possível acometer jovens. A doença pode acontecer devido a cinco principais causas
Tabagismo e má alimentação: é importante adotar uma dieta mais saudável, rica em vegetais, frutas e carne magra, além de praticar atividade física pelo menos 3 vezes na semana e não fumar
O acidente vascular cerebral, também conhecido como AVC ou derrame cerebral, é a interrupção do fluxo de sangue para alguma região do cérebro
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Agência Brasil
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