Estudo sugere que baço influencia na recuperação de pacientes com AVC

Pesquisa em camundongos mostra que controlar inflamação do órgão reduz danos no cérebro após AVC

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Ilustração colorida de raio-x de humano com mancha vermelha no crânio que simula AVC - Metrópoles.
1 de 1 Ilustração colorida de raio-x de humano com mancha vermelha no crânio que simula AVC - Metrópoles. - Foto: Freepik

Um estudo identificou o baço como um possível alvo para melhorar a recuperação após o acidente vascular cerebral (AVC). A pesquisa foi feita em camundongos e sugere que controlar a inflamação ligada ao órgão pode reduzir os danos no cérebro. O estudo foi publicado em 16 de fevereiro na revista científica Frontiers in Immunology.

Os pesquisadores do centro de pesquisa da Universidade La Trobe, Austrália, observaram que, após o AVC, o baço passa a produzir e liberar células inflamatórias que circulam pelo corpo e podem agravar a lesão cerebral.

Ao bloquear esse processo, houve melhora da função neurológica nos animais. Em comunicado à imprensa, os autores destacaram que o baço pode desempenhar um papel central na evolução do AVC, funcionando como um “amplificador” da inflamação no organismo.

O que acontece no corpo após o AVC

O AVC ocorre quando o fluxo de sangue para o cérebro é interrompido, causando a morte de células nervosas. No entanto, o problema não termina nesse momento inicial.

Nas horas e dias seguintes, o corpo ativa uma resposta inflamatória intensa. O estudo mostra que o baço participa diretamente desse processo, liberando células de defesa, como neutrófilos e monócitos, que podem piorar o quadro.

Esse mecanismo ajuda a explicar por que alguns pacientes continuam apresentando piora mesmo após o atendimento inicial. Os cientistas testaram o bloqueio de uma proteína inflamatória chamada S100A8/A9, envolvida na produção dessas células no baço. Nos camundongos, a estratégia desencadeou:

  • Redução da produção de células inflamatórias;
  • Menor inflamação no organismo;
  • Diminuição da área de dano cerebral;
  • Melhora da função neurológica.
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O acidente pode ocorrer por diversos motivos, como acúmulos de placas de gordura ou formação de um coágulo – que dão origem ao AVC isquêmico –, sangramento por pressão alta e até ruptura de um aneurisma – causando o AVC hemorrágico
Muitos sintomas são comuns aos acidentes vasculares isquêmicos e hemorrágicos, como: dor de cabeça muito forte, fraqueza ou dormência em alguma parte do corpo, paralisia e perda súbita da fala
O derrame cerebral não tem cura, entretanto, pode ser prevenido em grande parte dos casos. Quando isso acontece, é possível investir em tratamentos para melhora do quadro e em reabilitação para diminuir o risco de sequelas
Na maioria das vezes, acontece em pessoas acima dos 50 anos, entretanto, também é possível acometer jovens. A doença pode acontecer devido a cinco principais causas
Tabagismo e má alimentação: é importante adotar uma dieta mais saudável, rica em vegetais, frutas e carne magra, além de praticar atividade física pelo menos 3 vezes na semana e não fumar
O acidente vascular cerebral, também conhecido como AVC ou derrame cerebral, é a interrupção do fluxo de sangue para alguma região do cérebro
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O acidente vascular cerebral, também conhecido como AVC ou derrame cerebral, é a interrupção do fluxo de sangue para alguma região do cérebro

Agência Brasil
O acidente pode ocorrer por diversos motivos, como acúmulos de placas de gordura ou formação de um coágulo – que dão origem ao AVC isquêmico –, sangramento por pressão alta e até ruptura de um aneurisma – causando o AVC hemorrágico
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O acidente pode ocorrer por diversos motivos, como acúmulos de placas de gordura ou formação de um coágulo – que dão origem ao AVC isquêmico –, sangramento por pressão alta e até ruptura de um aneurisma – causando o AVC hemorrágico

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Muitos sintomas são comuns aos acidentes vasculares isquêmicos e hemorrágicos, como: dor de cabeça muito forte, fraqueza ou dormência em alguma parte do corpo, paralisia e perda súbita da fala
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Muitos sintomas são comuns aos acidentes vasculares isquêmicos e hemorrágicos, como: dor de cabeça muito forte, fraqueza ou dormência em alguma parte do corpo, paralisia e perda súbita da fala

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O derrame cerebral não tem cura, entretanto, pode ser prevenido em grande parte dos casos. Quando isso acontece, é possível investir em tratamentos para melhora do quadro e em reabilitação para diminuir o risco de sequelas
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O derrame cerebral não tem cura, entretanto, pode ser prevenido em grande parte dos casos. Quando isso acontece, é possível investir em tratamentos para melhora do quadro e em reabilitação para diminuir o risco de sequelas

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Na maioria das vezes, acontece em pessoas acima dos 50 anos, entretanto, também é possível acometer jovens. A doença pode acontecer devido a cinco principais causas
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Pressão alta, colesterol e diabetes: deve-se controlar adequadamente essas doenças, além de adotar hábitos de vida saudáveis para diminuir seus efeitos negativos sobre o corpo, uma vez que podem desencadear o AVC
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Pressão alta, colesterol e diabetes: deve-se controlar adequadamente essas doenças, além de adotar hábitos de vida saudáveis para diminuir seus efeitos negativos sobre o corpo, uma vez que podem desencadear o AVC

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Defeitos no coração ou vasos sanguíneos: essas alterações podem ser detectadas em consultas de rotina e, caso sejam identificadas, devem ser acompanhadas. Em algumas pessoas, pode ser necessário o uso de medicamentos, como anticoagulantes
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Defeitos no coração ou vasos sanguíneos: essas alterações podem ser detectadas em consultas de rotina e, caso sejam identificadas, devem ser acompanhadas. Em algumas pessoas, pode ser necessário o uso de medicamentos, como anticoagulantes

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Drogas ilícitas: o recomendado é buscar ajuda de um centro especializado em drogas para que se possa fazer o processo de desintoxicação e, assim, melhorar a qualidade de vida do paciente, diminuindo as chances de AVC
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Drogas ilícitas: o recomendado é buscar ajuda de um centro especializado em drogas para que se possa fazer o processo de desintoxicação e, assim, melhorar a qualidade de vida do paciente, diminuindo as chances de AVC

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Aumento da coagulação do sangue: doenças como o lúpus, anemia falciforme ou trombofilias; doenças que inflamam os vasos sanguíneos, como vasculites; ou espasmos cerebrais, que impedem o fluxo de sangue, devem ser investigados
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Aumento da coagulação do sangue: doenças como o lúpus, anemia falciforme ou trombofilias; doenças que inflamam os vasos sanguíneos, como vasculites; ou espasmos cerebrais, que impedem o fluxo de sangue, devem ser investigados

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Segundo os autores, os resultados indicam que interferir nessa via pode ser uma forma de limitar os danos secundários após o AVC. Embora os resultados sejam promissores, os próprios pesquisadores destacam que ainda não há testes em humanos. Ou seja, a estratégia não está disponível na prática clínica.

A principal contribuição do estudo é reforçar que o AVC não afeta apenas o cérebro. O sistema imunológico — especialmente o baço — também tem papel importante na evolução da doença.

Com isso, futuras terapias podem ir além da desobstrução dos vasos e passar a atuar também no controle da inflamação no corpo. Se os resultados forem confirmados em humanos, a abordagem pode representar um avanço relevante no tratamento e na recuperação de pacientes após o AVC.

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